O Bonde do galante
"Você vai de carro?!
Eu vou sim, e ainda dou carona pra umas 40 pessoas. Vamos todos de Mercedes Bens." Quem é que nunca ouviu essa piada tão antiga e cada dia mais difícil de ser dita, né?!
Ou porque as 40 pessoas se transformaram em 200, que estão em pé, sentadas, saindo pelas janelas nos ônibus e metrô lotados.
Ou porque hoje, muitos que andavam de ônibus, compraram seus carros, e nem por isso chegam mais cedo em casa. Estão parados no trânsito sozinhos - porque ninguém mais dá carona pra ninguém - ao lado dos mesmos ônibus lotados.
Ainda no tema "3,20 o numero da sorte do governo", resolvi escrever outro post sobre isso.
E, ao contrário dos inúmeros textos ( muito bons ), mensagens, comentários dos últimos dias, escrito por pessoas mais gabaritadas do que eu pra isso, decidi escrever sobre uma notícia que me chamou a atenção no jornal de hoje.
A cidade é de Agudos, interior de São Paulo, a 330 km da capital, bem próximo de Bauru. E vive basicamente de comércio, e de unidades de fábrica da Ambev e da Duratex.
Tem alguns elementos da frase acima que merecem nossa reflexão.
O prefeito de Agudos é um ex varredor de ruas.
E ninguém vai varrer ruas porque gosta, não é verdade?
A ausência de trabalho, de estudo, de oportunidades leva muitas pessoas a procurarem trabalhos muito dignos e pouco valorizados na nossa sociedade, como limpar sujeira nas vias públicas.
Esse homem conseguiu se eleger, e fazendo uma "conta de padaria" percebeu que em média, um cidadão de Agudos ( quem nasce em Agudos é o que? Agudence? ) ganha R$ 1 mil reais por mês.
Ora... se uma passagem de ônibus na cidade custasse de R$ 1,5 a 2, numa família de 4 pessoas, gastariam 12 reais por dia, que totalizaria 360 reais no mês. Pra quem ganha 1 mil de salário... é salgado, né?
Outra frase desse prefeito, ao ser entrevistado, me chamou a atenção: "Com essa economia, as pessoas conseguem, por exemplo, alimentar melhor os filhos."
Nesse município de 36 mil habitantes, o gasto com transporte público gira em torno de R$1.4 milhão por ano.
Mas, segundo este prefeito, o transporte público gratuito tornou-se um incentivo as empresas que se instalam na região, uma vez que não precisam pagar vale transporte aos seus funcionários.
Aqui em São Paulo, lá pelo idos de 1990, a então prefeita Luiza Erundina, do PT, tentou implementar na cidade um modelo parecido com o proposto pelo movimento Passe Livre de hoje.
Com a criação de um "Fundo do Transporte" alimentado com parte do dinheiro arrecadado pelo IPTU, seria possível custear os gastos dos cidadãos, que não teriam esse dispêndio adicional de seus ganhos salariais.
Mas houve resistência, e o projeto não emplacou.
E hoje... 23 anos depois, os estudantes e ativistas do movimento Passe Livre, reivindicam transporte coletivo gratuito, encarando que a mobilidade urbana é inerente ao direito humano de acesso a cultura e a serviços públicos.
Além de Agudos, há outras cidades pequenas no Brasil, que já conseguiram o feito.
Porto Real, no Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, reduziu a tarifa para R$0,50, e com o dinheiro de publicidade nos ônibus, consegue manter o sistema funcionando.
Iniciativas pelo mundo:
Tailinn, a capital da Estônia, implementou um sistema de transporte gratuito para seus habitantes, se tornando a primeira grande cidade europeia a adotar o esquema.
A rede por lá inclui trens, ônibus e bondes, que ao custo de 2 euro o cartão ( o bilhete único deles ), pode ser acessado por qualquer pessoa, que consegue com isso economizar anualmente até um salário mínimo.
Medida eleitoreira?! Talvez! Mas a população aprova!
E toda essa ação, custa aos cofres públicos da Estônia, 16 milhões de dolares por ano, que são cobertos com estímulos à economia.
Sidney, na Austrália. Quem anda pela região do Central Business District ( onde ficam os escritórios, o centro comercial ) não paga por isso nos ônibus, tampouco quem anda pela região de Kobarah, onde se concentra a maioria dos hospitais e escolas da cidade.
Changning, na China. Desde 2008, nem o local nem o turista pagam para andar de transporte público na cidaden a região de Huran.
Baltimore, EUA. Além dos ônibus serem gratuitos, são híbridos. Uma baita redução de impacto ambiental!
Trocando em miúdos... dá pra fazer, né?
Com seriedade nos gastos públicos dá! Com coragem de não se corromper e enfrentar o sistema, também dá!
Porque é que o secretário de transportes de SP ganha mais do que todos os demais?
E olha que o salário deles já é um absurdo, indecente, abusivo. ( não difere muito da iniciativa privada. Tem muita tranqueira por aí, com alto cargo ganhando fortuna, enquanto pagam a grande massa uma miséria. O mercado todo está mal nivelado. )
E porque é que um vereador da capital, além de ganhar muito bem - vários dígitos - tem que ter motorista, gasolina, carro... tudo custeado pela "casa", por nós?
E porque é que nenhum vereador se manifestou contra ou a favor desses movimentos até agora?! - será que esconder o dinheiro na cueca e sair ... à francesa caso a "casa caia" toma muito tempo?!
Enquanto em países mais sérios pelo mundo, munícipes pagadores de impostos, estão indo e vindo sem ter de pagar a mais por isso ( afinal, já pagam com seus impostos ), aqui no Brasil...
... hoje, 17 de junho de 2013... lá vamos nós pra mais uma manifestação pelas ruas da maior capital do país, comandada por um homem "bem vivido", que seguramente nunca teve de varrer uma rua, tampouco usar do transporte público para se locomover, que desconhece as dificuldades de mal se ter dinheiro pra comer ( comer? O que é isso? a Inflação já nos comeu, não? )
... e vamos reivindicar... por um sistema se transporte ... de 1º mundo!
E aí... quem quer carona nesse bonde?!

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