terça-feira, 23 de abril de 2013

Essa gente diferenciada

Essa gente diferenciada... 




Terça Feira, 23 de abril de 2013, São Paulo, Brasil.

Abrimos o jornal logo cedo e vimos a notícia: Advogado de 74 anos mata namorada por estrangulamento, no bairro de Higienopolis, em São Paulo.

Notícias como essas eu não faço questão de comentar. É baixo, vil, doente demais.
E a polícia, os órgãos competentes deverão tomar as medidas cabíveis ( só esperamos que mais uma vez as brechas - os buracos negros - da lei, do código penal, não sejam lenientes com um crime desses ).

Mas, isso dá ensejo pra um dos temas que mais me incomoda, inquieta e entristece.
O preconceito, a descriminação.

Poderá pensar: "mas Celinha... o que isso tem a ver com esse crime noticiado?".

Com o crime em si, talvez não tenha ligação direta, mas com o preconceito que ainda existe em muitos paulistanos sim. Sobre o local, o bairro que a pessoa vive, e principalmente, sobre as condições econômicas da criatura.

Lembremos que, anos atrás, numa manifestação contra a construção de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis, os vizinhos do advogado coroa assassino foram às ruas e, num processo de "gente diferenciada", contra a obra que, segundo eles, atrapalharia a vida do bairro, trazendo para próximo deles pessoas "diferentes" do seu convívio social.

Eu fico pensando... que diferença há entre os crimes que ocorrem na periferia, nos extremos da cidade onde, via de regra, moram muitos se não todos os serviçais dessa "gente diferenciada"?!
Lá, pode haver estrangulamentos, roubos, furtos... assim como em Higienopolis, não? Feitos pelos próprios moradores, com "luvas brancas".

Quem me conhece, sabe da aversão a dita "elite", que se gaba de cargos, bens, dinheiro... mas desconhece as agruras sociais do próprio país onde vive.
Que desconhece que os impostos embutidos em bens de alto luxo, também custeia as fanfarras públicas, e ... como confere status, gastam sem medir as consequencias.

Conversando com um taxista do bairro de Higienópolis outro dia, ele me contou que semanalmente, é pago pra buscar o almoço de um casal de moradores do bairro, em um restaurante da cidade.
A corrida de taxi, sai por  uns 70 reais e o almoço... 700, 800 reais.
Seguramente, pra uma iguaria dessas, não seria apropriado um delivery do próprio restaurate, não é mesmo?! E... o valor da corrida ajuda a...  lavar...  um pouco do muito dinheiro.

Ok. Cada um lava - ops, gasta - seu dinheiro como queira. Ninguém tem nada com isso!
O que pergunto é:  No país em que vivemos, setecentos reais por um almoço para duas pessoas não será descabido?
E quanto será que esse "patrão" paga de salário para seus empregados, mordomos, babás e afins?!
O valor de um almoço do domingo, talvez seja o mesmo que paga o aluguel, luz, gás, água, telefone, mercado e outras coisas mais de seus empregados num mês inteiro.

Desde minha infância, eu convivi com os 2 lados da coisa.
De familiares abonados, ditos "bem de vida" - será que sabem mesmo o que é isso? - num contraste com uma escolha mais simples, modesta e ... honesta de viver.

E isso não me tornou arredia ao luxo. Mas bastante questionadora da necessidade dele.
Seu Reinoso sempre me ensinou: "Minha filha, não é pecado ser rico. Pecado é esquecer do outro lado".

Economicamente, sem dúvida o mercado da "gente diferenciada" movimenta milhões, gera empregos ( pagos com o almoço do domingo do patrão ) e expõe o nosso país à marcas globais.

Mas... isso os torna realmente... diferentes?! E no que?
Despidos de roupas, erguidos fora dos carros, das casas tão bem conservadas e "chiques" - tem gosto pra tudo - o que nos sobra?!
Deus, Buda, o Criador, ou seja lá qual for sua crença religiosa - é bom acreditar em alguma coisa - criou por acaso seres diferentes, conferiu privilégios a uns em detrimentos de outros?!

Pra mim, chegamos num tempo, onde preconceito - por mais velado que o seja - não cabe mais.
Num tempo onde até a ficção leva pra periferia, o morro, a comunidade, histórias reais, num enredo de uma novela toda, custeada com patrocínios robustos de marcas... globais.

Talvez tenhamos passado da hora de perceber que, não é o bairro, nem a condição social que determina o caráter, a capacidade de alguém.
O homem mais poderoso do mundo hoje... tem características e história de vida bem distinta de muitos aristocratas por aí.

Mas o que fazemos com o muito ou pouco que temos, tem impacto direto na nossa vida e na vida de toda a sociedade.

Gente diferenciada não estrangula pessoas.

Gente diferenciada... talvez pense no coletivo, num exercício constante de diminuir o egoísmo e ver o outro... além das aparências.





sexta-feira, 19 de abril de 2013

A febre não é culpa do termômetro

A febre não é culpa do termômetro!



Pensando justamente em qual seria o tema do próximo post, eis que aconteceu o ataque com as bombas na corrida em Boston - US, esta semana.

Um atentado, duas bombas caseiras, uma corrida pela cidade, e a morte de 3 pessoas, sendo uma criança de apenas 8 anos, e dezenas de feridos. Um ataque terrorista, de suspeitos garotos extremistas, já identificados pela política americana.

Acho que após o triste e fatídico 11 de setembro  - as torres gêmeas em NYC - talvez esse tenha sido o momento mais marcante que os americanos viveram recentemente.
E o clima de insegurança, medo e ... raiva... voltou no ar.

Enquanto especialistas, polícia, políticos, jornalistas do mundo todo desvendam esse atentado, eu prefiro refletir sobre um outro ponto de vista.

Tolerância: Disposição de admitir nos outros, modos de pensar, de agir e de sentir diferentes dos nossos.
Violência: Qualidade ou caráter de violento. Tirania, opressão. Constrangimento físico ou moral a alguém.

Desde que o mundo é mundo, existe guerras, desavenças entre povos. Crenças religiosas, políticas, e sobretudo interesses econômicos são o estímulo para a intolerância e a violência.

A mais recente guerra do Afeganistão, provocou a perda de grande contingente de soldados americanos em batalha. Jovens, treinados para o combate, para matar o "inimigo".
E, guardadas as proporções ( cultura, religião, política ), do lado de lá da fronteira, o pensamento era semelhante. A necessidade de eliminar o tal "inimigo" que feria, matava e oprimia sem parar.

Nesse jogo tenso de fogo cruzado, onde nenhum dos lados cede, o que mais me choca - e me motiva a escrever essas linhas - é a nossa reação quando um suposto "terrorista" é capturado.
Aplausos, comoção, gritos revoltosos de "justiça" ecoados por toda a parte.

Ok. Sendo cidadãos de bem que somos, queremos mesmo ter a proteção e a justiça a nosso favor.
Porém... que justiça será essa?! Capturar, prender, expor mundialmente uma criatura como um monstro, será suficiente pra acabar com a violência?! Pra inibir a criminalidade?
Sempre foi feito isso, e ainda somos obrigados a conviver temerosos uns com os outros.

Ficamos felizes, vingados, aliviados quando um terrorista é preso?! E porque ainda existe terroristas no mundo?! E isso será determinante para que não haja mais ataques?

Eu me recordo, tempos atrás quando trabalhava em Israel e no Egito, em minhas conversas com os locais, sempre os questionava: "Mas quando esses conflitos vão acabar? Porque ensinar as crianças que o outro é o inimigo?". E eu sempre ouvia a mesma resposta: "Isso nunca vai acabar".

Ehhh... ter a liberdade de ir e vir cerceada pelo Estado, pela religião, não é fácil.
Ver pessoas sendo mortas, estupradas, humilhadas, por soldados "preparados para a guerra" não é fácil.
Perceber que o mundo todo evolui em tecnologia, acessibilidade, direitos humanos, e o próprio entorno permanece no passado, não é fácil.

Mas ... porque é fácil julgar o outro, se não se passa pelo que passam? Se não sofre o que eles sofrem?

Obviamente que um erro não justifica o outro!

O intrigante é: será que somente humilhar e expor mundialmente garotos de 19, 20 anos - criminosos que terão de responder pelos seus atos - não é também, realimentar uma ideia da guerra?!

Eu não tenho essa resposta. E não é minha intenção aqui fazer apologia, tampouco tomar partido. Sou solidária a dor das famílias, das vítimas e também quero que a "justiça seja feita".

Mas me questiono, me incomodo, sobre qual justiça e quão eficiente ela é.
E acho que a discussão deve ser mais profunda, fundamental e cabe a cada um de nós também.
Repensar como tratamos as pessoas, suas escolhas, seus pontos de vista. Somos tolerantes com as diferenças, com crenças distintas das nossas?
Se alguém não concorda conosco, com nossos pontos de vista, o que fazemos?

Que menos civis percam vidas, seja por bombas, seja por tiros na cabeça dados por garotos sem maioridade penal, que já perderam qualquer referencial do que é ser bom, do bem, há muito tempo.

Nós já evoluímos a passos largos em tecnologia e ciência. Talvez, o que nos falte seja justamente ... tratarmos a causa dessa febre social mundial.

E não basta tratar os seus sintomas. Nem colocar a culpa... no termômetro.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Vai pra conta de quem?

Vai pra conta de quem? 



Idoso: pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. 3º idade.
Impostos: Quantia paga obrigatoriamente por pessoas ou instituições ao governo.
Governo: autoridade governante de uma unidade política.

Mas o que esses 3 elementos tem em comum?
Mistura-se um punhado de um, com um pouco do outro e uma dose do terceiro, e ... dá-se o que vemos hoje na tratativa pública à pessoa idosa no nosso país. Descaso, despreparo, desprezo.

Todos nós percebemos que a população mundial está envelhecendo. Tanto no velho continente, quanto no novo, a sociedade se reinventa em termos urbanos, pra acomodar a evolução etária do ser humano.

E assim como a população cresce... quem banca ( ou deveria ) com tudo isso também cobra a mais...

Desde que nos entendemos por gente, recolhemos tributos, impostos. O bebezinho, na maternidade, desconhece que, ao nascer, já tem uma dívida com o governo.

Mas o que nos difere dos demais países, é que nosso "produto imposto tupiniquim" vem em cascata - até nisso somos metidos.
O produtor, o agricultor, lá na ponta da cadeira produtiva, recolhe imposto. O fabricante, ao receber a mercadoria também recolhe imposto. O logista, antes de vender a mesma mercadoria, também recolhe imposto. E nós, é claro... pagamos por tudo isso. Com mais impostos embutidos nos preços.

Ok, a União não gera riqueza - assim dizia um professor de direito constitucional que tive na faculdade.
O governo não produz ( e nem pode ) nada. Sendo assim, desde que há civilização na face da terra, o governo cobra dos cidadãos ( cada dia eu me sinto menos cidadã por isso ), por meio de impostos, recursos pra assegurar as condições básicas de sobrevivência em sociedade.

E é aí... justamente aí... que entra a minha, e de centenas de milhares de pessoas, grande indignação ( agora eu me recordo das discussões homéricas na faculdade com os professores de economia e direito... não sei como eles gostavam de mim. rs )

Se nós recolhemos tantos impostos assim, porque nós ainda temos que pagar um plano de saúde para ter o mínimo de atendimento quando ficamos doentes?
Ou uma mensalidade caríssima de colégio, para que as crianças tenham bons referenciais educativos?
Ou pedágios caros nas estradas, para termos minimamente condições de ir e vir sem acidentes decorrentes de má conservação das rodovias?
Assim como IPVA e taxas de inspeção veicular, ambiental e todas as variações grotescas inventadas por um governo ruim de conta... ?! E o IPTU? E o IR? E o ISS? E o ICMS?
São tantos os tributos e maiores ainda os motivos que ... gastaríamos vários posts pra descrevê-los e só ficaríamos mais irritados com isso.  

Pra mim, hoje, uma resposta define o caos do país em que vivemos. Malversação do dinheiro público!

Numa grande e colorida colcha de retalhos de nossa constituição, temos buracos negros - já deixou de ser brecha faz tempo - que possibilitam magistrados, políticos em geral, receberem salários e benefícios que deixariam presidentes de multinacionais vermelhos de inveja ( ou de raiva! ).

Um código penal mais velho que muitos de nossos pais - verdade, meu pai nasceu no início do século passado, e é um contemporâneo do código penal brasileiro - que permite tantas aberrações de advogados inescrupulosos ( ah, mas esse é o trabalho deles, né? ) defendendo gente que ... nem Cristo absolveria.

Dias atrás, um filósofo do Rio de Janeiro disse em uma entrevista a um jornal paulista que:

"... não temos um pacto social. Não existe um discurso de construção. O que existe e é aceito são interesses individuais ou de pequenos grupos mesquinhos, mas não uma disposição de pensar no coletivo. A ideia do "cada um puxa a sardinha para o seu lado", esta legitimada socialmente no Brasil..." 

Claro que a discussão é muito mais profunda. Tem raízes históricas, culturais, que eu não teria informação nem capacidade para puxar esse fio de raciocínio.

Mas, como cidadã eu tenho condições de pôr a minha boca no trombone e dizer... EU NÃO CONCORDO!
De dizer que estou de saco cheio de ser esfolada todos os dias, horas e minutos por um governo que não sabe o que fazer com meu dinheiro, que não me dá ( nem a mim, nem aos meus ) o mínimo de condições de sobrevivência com dignidade....Só se eu pagar por isso!

Há quem me diga... "ah, Celinha... mas o que é que nós podemos fazer?"

Muita coisa, meu caro. Pra começar... nós votamos. Nós escolhemos as pessoas que nos representam no Congresso Nacional. Presidente da República é  de menos. O cara não faz nada sozinho.
E, mesmo com as jogadas eleitoreiras partidárias, os suplentes e afins... se votássemos direito, teríamos menos problemas.

Nós pagamos! E muuuuito caro, com o imposto do pãozinho, do ingresso do cinema, do tomate... para 513 deputados federais elaborarem as leis que deveriam melhorar a minha, a sua vida.
Nós também pagamos os 81 senadores, para ... veja a ironia... julgar e processar um presidente da república, um ministro. Pra fiscalizar se as contas estão fechando, quem tá gastando mais ou menos ( um trabalho em conjunto com a corregedoria e os tribunais de contas, além do STF, até onde eu sei ).
Nós pagamos ... os deputados estaduais e os vereadores, para, em instância local, fazerem a mesma coisa.
E nós pagamos... as centenas de milhares de funcionários públicos, polícia federal... para administrarem tudo isso e ... nos protegerem. Ehh... essa parte melhor pular...não sabemos mais quem é bandido e quem é mocinho.

É gente pra caramba pra pagar, né? ... Haja folha de pagamento!
E como toda boa empresa que se prese, é preciso ... avaliar seus funcionários. E nós... fazemos isso?

Ainda dentro desse capítulo "ah, mas o que nós podemos fazer? "... vem eles, os vilões dessa história toda...

O Brasil possui hoje aproximadamente 85 impostos ( isso se, até o momento da publicação desse post não inventaram mais algum ), e apesar de iniciativas isoladas e até que razoáveis como o Impostômetro - aparelho que mede a quantidade de dinheiro que entra por segundo no cofrinho do governo federal, ou essa ideia de descriminar nas notas fiscais todos os impostos que incidem nos produtos comprados... ainda assim, pelo montante arrecadado e pelo baixo retorno que temos de tudo isso... é pouco!

Mas ... num sonho de juventude... ver as pessoas mais conscientes do que compram, porque compram... e pra que dar mais dinheiro em impostos para o governo... já seria um alento.

É claro... claro que esse texto tem um viés pessoal.
Meu pai trabalhou uma vida inteira. Recolheu todos os impostos e taxas que o governo lhe exigiu... e ao final da vida... esse mesmo governo... diz a ele e mim, ao buscar um atendimento médico hospitalar de qualidade para um terceiro que ... "não tem o que fazer".

E aí? pra quem é que a gente pede ressarcimento por tanto imposto recolhido durante tantos anos?!

Ser consciente do que se paga, porque se paga e ... se tem necessidade de se pagar tanto, já é um começo.

Ler jornais, conversar sobre política, economia, como vai o seu bairro, a sua cidade, o que estão melhorando, o que está pior do que estava... tudo isso faz parte do nosso processo de ... civilidade.
Não só se queixar, mas também fazer parte do trabalho que os políticos não fazem, ser voluntário em alguma ong, instituição... é importante. É humano!

O governo ainda não nos cobra por isso. Aproveitemos. Antes que nós fiquemos... velhos!













sábado, 6 de abril de 2013

Agora só no alho e óleo

Agora só no alho e óleo



A mais recente "celebridade comestível instantânea" das redes sociais dessa semana foi ... Solanum lycopercicum - mais conhecido como ... "O Tomate".
Desculpe as celebridades "mulheres frutas", mas até onde eu saiba, não inventaram mulher tomate. E como seriam, né? eh, melhor nem pensar...

Muitas sátiras e frases jocosas, sobre o aumento do preço desse item super importante e tão presente na mesa dos brasileiros foi tema da semana.

No início de fevereiro deste ano, o quilo do tomate estava em torno de 4 reais nos supermercados e feiras livres. Hoje, meados de abril, o quilo chega a custar 14 reais!

Tomate tá caro, né? - já diriam os japinhas produtores do legume, lá pelas bandas de Indaiatuba, Suzano e cidades do interior paulista.

Enquanto os produtores alegam o aumento por conta das geadas no país - toda a produção concentra-se no sudeste e centro oeste, com mais de 60 mil hectares plantados - cada dia que passa o tomate vem de mais longe.
Rodovias mau conservadas, filas nos portos, pedágios caros... e outros elementos fazem com que o valor do frete não fique nem vermelho de vergonha. - caramba, péssimo esse trocadilho! Desculpe!

Mas... está tuuudo bem, segundo nosso Ministro da Fazenda.
A alta dos preços está controladíssima ( pra quem ganha o que ele ganha por mês, e com a boca livre que deve ter, não é difícil ver sob esse prisma ), e a população não tem o que temer.

Que a inflação é sensível aos preços dos alimentos, nós já sabemos. Que são eles que puxam a inflação pra cima, também sabemos, senhor ministro.
O que nós não sabemos é pra onde vai toda a montanha de dinheiro arrecadados com IPVA, multas de radar, ICMS, ISS e demais tributos arrecadados entre Estados e Municípios, que não seguem para investimentos em rodovias, portos, e ... num sonho de criança - em ferrovias.

No início de março, pra relembrarmos ( brasileiro é engraçado - decora letra de funk, mas tem memória curta para os gastos com dinheiro público ), a China deixou de comprar milhões de toneladas de soja brasileira, por conta do nosso atraso no despacho da mercadoria no porto.
Vergonha, heim?!

E a rainha Dilma esteve recentemente com o Jinping - o novo presidente chinês. Será que foi pra pedir tomates, uma vez que a China é o maior produtor do planeta?!

Pedir a China para comprar mais produtos brasileiros, ou não nos atrapalhar com o comércio exterior, seria menos inteligente do que unir esforços, e conceder incentivos, para os xing lings investirem em infra estrutura por aqui.
Pra mim esses encontros entre chefes de Estados é mais protocolo do que outra coisa. Politicagem, o velho jogo do toma lá da cá... tudo regado a Moet Chandon e ... tomates, é claro!

E enquanto o preço não abaixa, donos de restaurantes em São Paulo resolveram fazer um "motim" e numa forma de repúdio e combate a esse aumento, deixaram de comprar o legume. Eu particularmente, adorei a iniciativa!
Regra básica de economia: se a oferta está maior do que a demanda, o preço cai.

Aqueles que tem o hábito frequente de sair pra jantar fora em São Paulo ( eu já tomei uma decisão - por enquanto, não vou mais enriquecer o bolso de nenhum rico sovina dono de restaurante na cidade ), terá que se habituar a outros paladares.
Spaguetti agora, só a carbonara, ou no alho e óleo.
Ou com as boas variações dos primos pobres do tomatinho... berinjela, pimentões e pimentas. hummm!

Se Mantega, Tombini e toda essa equipe econômica de governo estão certos ou não, quando dizem que os preços vão baixar, que a inflação não vai superar a meta ( que já está alta )... não sabemos. Mas sentimos! No nosso bolso, nas compras básicas no supermercado!

Por via das dúvidas, eu já estoquei uns pacotinhos de miojo sabor tomate ( e sal de fruta junto, porque o fígado griiita ) e renovei minhas receitas de molhos brancos.

Agora... só falta  as vaquinhas resolverem fazer greve. Aiii... se o preço do leite subir também...

ah, mas não tem problema, né? ... Afinal de contas, dizem que o que engorda é o molho mesmo...

ehhhh Brasil! ... Bom apetite!


terça-feira, 2 de abril de 2013

1 + 1 = 3

1 + 1 = 3 


O que é o quadrado do comprimento da hipotenusa igual a soma dos quadrados dos catetos?
E 7 x 8?
E a raiz quadrada de 625?

Ok, dos bancos de escola até nossos dias pode-se ter passado algum tempo, mas a lembrança das aulas de matemática, da tabuada decorada, da geometria, é viva na nossa memória.
Quem é que não teve um professor cascudo, que não perdoava nenhum erro, e custava pra dar aquele meio pontinho a mais que faltava pra fechar na matéria?

Essa semana um estudo apontou o Brasil com uma falha no desempenho de alunos de 1º grau ( nosso finado ginásio ), na disciplina de matemática.

E ... um país que não sabe contar, facilmente é enganado, passado pra trás!

Com base num exame bienal realizado pelo Governo Federal - o Prova Brasil - identificaram que somente 12% dos alunos tinham desempenho satisfatório com os números.

E comparando com os dados dos anos anteriores, chegaram a conclusão que à medida que os alunos progridem nos níveis de escolaridade, o desempenho piora.

Não é segredo pra ninguém que, os heroicos e mal pagos professores do ensino público, tem um baita desafio com essa juventude - geração Y, W, Z, etc - seja pelo baixo nível de disciplina, organização, concentração - muitas vezes oriunda de uma deficiência alimentar em casa - a violência que sofrem e aprendem... e por aí vai. Muitos professores nem licenciatura para aquela disciplina tem, mas dão as aulas por carência de outros professores.
Como também não é segredo que "a regra é clara" - aluno não repete de ano na rede pública.
Afinal... como darão lugar para os outros alunos que estão vindo nas séries anteriores?
E ... como vão mostrar os bonitos números de matriculados, estudantes, etc... para a UNESCO, o UNICEF e quem mais quiser ver?!

Outro dia uma amiga professora me contou não ser mais possível corrigir provas com caneta de tinta vermelha, tampouco circular palavras escritas de forma errada, sentenças mal redigidas. Apenas uma medida cautelar... pra não traumatizar os alunos.
Traumatizar?!
E o que será mais traumatizante... ter sua prova corrigida por alguém que estudou muitos anos a mais que você e está ali justamente pra lhe ajudar a aprender, ou ... não passar em um concurso, ser preterido numa entrevista de emprego, por desconhecer o básico?!

Piaget e seu construtivismo que me desculpem mas, eu ainda sou partidária do "à moda antiga".
Da cartilha, da lição de casa, da tabuada, do caderno de caligrafia e porque não, das aulas de educação moral e cívica - aquelas que tínhamos com a madre superiora da qual morríamos de medo na época, mas que hoje... muitos de nós talvez gostássemos que fosse professora de nossos filhos.

Um povo só se torna livre por meio da educação!
É pela educação que não nos tornamos manipuláveis por forças econômicas, sociais, partidárias... é por ela que emancipamos os nossos pensamentos, construímos capacidade de discernimento, ficamos corajosos.

Conhecimento que liberta!

Não sei quanto de verba a rainha Dilma destinou para a pasta da educação este ano ( afinal, o orçamento de 2013 foi votado na calada da noite, em meados de março! )... e também desconhecemos o que o Mercadante tem a oferecer em projetos, programas e ações educativas - eleitoreiras terá várias, por certo - para este ano.

Mas não me agrada saber que nossas crianças ( com seus celulares faz tudo nas mãozinhas, acessando redes sociais ) desconhecem uma tabuada, uma raiz quadrada, e suas utilidades.

... E se fizessem essa prova no Congresso Nacional... quantos passariam com louvor?!

Imaginam nosso ministro da Educação apanhando de palmatória... porque esse tal Pacto Nacional pela Alfabetização não saiu... do papel?!