sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tá nervoso? Vai pescar!

Tá nervoso?! Vai pescar! 

Ta nervosinho? Vai pescar! 
Intolerância: Ausência de tolerância ou falta de compreensão. Atitude odiosa ou agressiva, de caráter político, religioso, social. Daqueles que possuem opiniões diferentes. Intransigência. 

A cena é comum.
Brigas de trânsito, de familiares, de condomínio. Gente discutindo, pessoas que não toleram ser questionadas, alguns dos "sabe com quem está falando" - tema de um outro texto desse blog - outras que não querem ser humilhadas, desprezadas, e por aí vai...

Tudo isso tem sido frequente não só em grandes capitais do mundo, como também em pequenas cidades.
Onde tem o ser humano - em suas variações de egoísmo, vaidade e orgulho - tem confusão!

Nessa última semana, assistir aos noticiários da TV ou ler o jornal, ficou indigesto. Foi violência pra todo lado.
Seja o jovem soldado inglês, morto nas ruas de Londres em plena luz do dia por 2 jovens de origem africana, convertidos ao Islamismo.
Ou o médico em Copacabana, no Rio de Janeiro, que num ato impensado jogou pela janela do 6º andar 2 pequenos cachorros que morreram na hora.
Ou o mais recente ato de insanidade divulgado, cometido ontem em São Paulo, quando um vizinho insatisfeito com o barulho do casal morador do apartamento acima do dele, pegou sua arma, subiu e os matou a sangue frio, se matando na sequencia.

Alguns exemplos do que mais vemos e ouvimos sobre o comportamento humano atual pelo mundo. Intolerância!

E que, temos de convir que, foge daquele esteriótipo que só o pobre miserável é violento, que só há  crueldade nos bairros mais carentes e distantes das cidades.
Ao contrário do que a falsa aparência determina, violência, agressividade e desrespeito são "democráticos". Tanto o rico quanto o pobre as possuem. Reações extremas de uma criatura semelhante... humanos!

Lamentavelmente, a violência - moral e física - está mais próxima do que supomos. Convivemos com ela diariamente. Muitos, quando se olham no próprio espelho.

E aí? O que fazer diante disso tudo? Se entupir de tranquilizantes, enriquecer psicólogos que pouco resolvem ( até porque se o paciente não se ajudar ... )

Há aqueles que, alegando busca por qualidade de vida, fogem para outro país ( eu penso nisso por ausência de oportunidade profissional e por estar cansada de ser esfolada pelo governo brasileiro, com tantos impostos e sem resultados reais que me beneficiem a vida )
Mas... será que a intolerância não segue junto com o ser humano onde ele for?

Você pode também virar um monge e ir morar no Tibet, em cima de uma montanha.
Mas... será que entre os monges também não rola uns quiprocós por conta do cheiro do insenso, da fruta para o Buda, etc.

Nos fechamos nos carros blindados, com insulfilmes mais escuros que o breu, pra esconder nosso medo do outro.
Nos trancamos atrás das grades dos condomínios, temerosos da segurança de todos.
Andamos pelas ruas apressados, segurando bolsas, carteiras e pertences como se fossem ... nossos tubos de oxigênio, como se não vivêssemos sem aquela bolsa Louis Vitton comprada em suaves parcelas - mas que está na moda e mostra que "tô podendo", me faz entrar no clubinho das "bem aceitas".

Eh... tem alguma coisa errada nessa história toda, não?

E, antes de colocar a culpa somente nos delinquentes - cada dia mais jovens - prefiro pensar em ... como é que deixamos chegar nesse ponto. Onde erramos? E o que temos feito, como reagimos diariamente, frente a tanto caos?

Nós nos esquivamos! E não adiante entortar seu nariz com fez agora, porque ... é verdade!
Dizemos... "ah, isso não é problema meu".
Ehhh... Não?! Tem certeza?!
... mas, você vive onde?! Você só anda de helicóptero ou também tem que enfrentar as ruas e seguir as leis de trânsito da cidade?!

Muitos anos atrás, em uma palestra que assisti no Centro de Voluntariado de São Paulo, lá pelas tantas o palestrando virou para mais de 200 pessoas e disse:
"Enquanto houver uma pessoa morando pelas ruas da cidade, enquanto houver uma criança pedindo esmola nos sinais de trânsito, enquanto houver um idoso passando necessidade, não se iluda, porque você também tem um problema".

E ai... já tá fazendo sentido pra você?! Não? ... Deixa eu tentar explicar...

Quando você, empresário bem sucedido, muito bem remunerado, dono de negócio promissor, resolve demitir milhares de pessoas para atingir um break even, e apresentar um P&L bonitão para seus investidores ( mantendo os altos salários intactos, incluindo o seu, é claro! ) ... você joga de volta ao mercado milhares de pais e mães de família, que tem filhos, netos que precisam comer, estudar, ter saúde e algum lazer.
Centenas de pessoas que vão recorrer a um seguro desemprego, que vão onerar ainda mais as contas da previdência social falida, que vai acabar retirando dinheiro de alguma pasta como segurança, educação, etc.

Quando você, político tão bem pago por nós contribuintes, resolve desviar a verba destina as enchentes, para aquela casa de campo que sua esposa que não faz nada tanto quer... você deixa à merce milhares de pessoas expostas novamente a acidentes em áreas de risco, as deixam revoltadas, aumentando a criminalidade na região, etc.

Sabe aquele menino que vê atravessando a rua e indo pedir algum dinheiro pra você no sinal, e você mais ágil que ele levanta o vidro do carro e, com aquela cara de coitado diz... "hoje eu não tenho"?!... ele é mais um "mini escravo" da indústria dos pedintes, explorados pelos mesmos que traficam drogas, que aliciam pessoas, que estupram e matam. E talvez, seja um filho de um daqueles que você dispensou. Mas..." com todos os benefícios de praxe, claro!".

Ehh meu amigo. Sinto lhe informar que ... o ser humano não é uma ilha. E que ... as nossas escolhas e atitudes tem impacto direto na vida das outras pessoas.
E o que você faz no seu tempo livre? E o que você faz com o dinheiro que lhe sobra todo mês? Pensa em quem mais além... de você mesmo?

Essa atrocidade que vimos pelas ruas do mundo todo vai acabar?

Na minha opinião, continuará assim, até que cada um de nós se dê conta de que somos sim, responsáveis pelo entorno que nos cerca. Que impactamos sim, a todo instante, a vida de milhares de pessoas.

Quem não assistiu ao filme CRASH, No Limite - filmado em Los Angeles, em 2004 - recomendo que assista.
Numa trama que se passa em 24 horas, são várias histórias independentes de pessoas comuns ( ricas e pobres ), inebriadas por preconceitos, vaidade e orgulho, e que encontram-se em determinado momento da trama num conflito ético, pelas escolhas e atitudes que fizeram e que determinaram seu futuro.

Vivemos no limite de tudo! ( até do cheque especial, como eu! )
Não sabemos mais ser tolerantes, ter compaixão ( só conosco mesmo! ).
Mas enchemos o peito pra falar de uma sociedade mais justa, pra cobrar dos governantes.
Mas ... e nós? O que fazemos, se pensamos somente no nosso umbigo?!

Eu não sou socióloga - apesar de ter uma tendência natural pra coisa - e não acho que todas as respostas para as mazelas humanas sejam fáceis de se explicar.
Mas, no meu pequeno universo do dia a dia, percebo que não dá pra esperar somente do poder público que algo seja feito com o rico dinheirinho que me tomam nessa infinidade de impostos.

E ... indo mais além - para você que também acredita em Deus, em justiça espiritual ( é bom acreditar em alguma coisa), pense que tudo o que fazemos ao outro, ou o que deixamos de fazer por desculpa, comodismo e egoísmo - invariavelmente, volta pra nós.

Lembra daquela aula de física do colégio? Quando jogamos uma bolinha na parede, ela não retorna pra nós? E... quanto maior a intensidade da força que impomos sobre essa bolinha... ehhh

Não precisa apelar pra santo, reza ou mandinga! Basta pensar, ser racional.
Se eu não trato bem o garçom que me serve no restaurante porque ele é humano e merece respeito, como é que eu quero que o hamburguer chegue no prato sem uma marquinha de sapato sujo?!

Na vida não há privilegiados! Não se iluda com o carro importado, a casa da moda, a roupa cara e a arrogância escrachada.
Tampouco, se iluda com a aparência humilde, com a covardia da violência e a falta de paciência das criaturas.

Retirando as vestes... tanto um quanto o outro sofre, tem problemas, tem desafios pessoais.
E o que nos difere uns dos outros não se compra, nem se negocia.

Caráter, a vontade de caminhar no bem, ser justo!

Estamos todos conectados. E como diz um amigo... no final das contas, o mundo é composto por 16 pessoas.
Já reparou que ... o tempo passa, mas de uma forma ou de outra, nós sempre reencontramos um, que conhece o outro, que conhece um terceiro... que nos conhece?

O universo é muito mais esperto do que nós. Somos micro partículas de uma estrutura monstruosa de galáxias e planetas.

Então... Se Deus, que é o Dono do pedaço, é tão tolerante conosco, quem somos nós pra não sermos com o outro?

Você anda nervosinho... porque as coisas não estão indo como você gostaria?
Tente olhar para o lado, veja que tem gente em situação muito pior que você. As vezes com um sorriso no rosto ( avalie também se, direta ou indiretamente, você não é o causador de suas próprias agruras ).

E ... antes de entupir-se com anti depressivo, Prozac's e afins... use um método mais natural...

Tá nervoso?! ... Vai pescar!!!


"A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos." 
Mahatma Gandhi 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sessão de Terapia

Sessão de Terapia 


Tem coisas que nem carecem de explicação. 
Há textos assim também. 
Seja pela experiência de vida, de profissão. Ou pela facilidade em notar a realidade, e ser generoso ao escrever - até de maneira lúdica e leve - sobre temas tão pesados... 
... no meio de tanta coisa fraca e superficial. De pensamentos estreitos, mesquinhos e egoístas... ainda temos o privilégio de ler bons artigos. 
Gente imparcial e corajosa. Eu gosto disso! 

Nessa loucura doentia que é socialmente aceita. No egoísmo escondido atrás de falsas espertezas que sempre vem à tona... na constante necessidade de realimentar a falsa crença de que se é melhor do que os demais... a única coisa verdadeira é que ... ninguém nos cura, além... de nós mesmos! 

Compartilhando, na íntegra, recente artigo do cineasta Arnaldo Jabor, publicado num jornal aqui em São Paulo. 

Boa leitura! 


"Doutora, eu procurei a psicanálise porque tenho tido pesadelos: sonho que morri assassinado por mim mesmo, que estou preso com traficantes estupradores. Não mereço isso, eu, que sempre assumi minha condição de corrupto ativo e passivo. (Sem veadagem..., claro.) Não sou um ladrão de galinhas, mas já roubei galinhas do vizinho e até hoje sinto o cheiro das penosas que eu agarrava. Hahaha... Mas hoje em dia, doutora, não roubo mais por necessidade; é prazer mesmo. Estou muito bem de vida, tenho sete fazendas reais e sete imaginárias, mando em cidades do Nordeste, tenho tudo, mas confesso que sou viciado na adrenalina que me arde no sangue na hora em que a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, vibro quando vejo os olhos covardes do empresário me pagando a propina, suas mãos trêmulas me passando o tutu, delicio-me quando o juiz me dá ganho de causa, ostentando honestidade e finge não perceber minha piscadela marota na hora da liminar comprada (está entre US$ 30 e US$ 50 mil hoje).
Como, doutora? Se me sinto "superior" assim? Bem, é verdade... Adoro a sensação de me sentir acima dos otários que me "compram" - eles se humilhando em vez de mim.
Roubar me liberta. Eu explico: roubar me tira do mundo dos "obedientes" e me faz 'excepcional' quando embolso uma bolada. Desculpe..., a senhora é mulher fina, coisa e tal, mas, adoro sentir o espanto de uma prostituta, quando eu lhe arrojo US$ 1.000 sobre o corpo e vejo sua gratidão acesa, fazendo-a caprichar em carícias. É uma delícia, doutora, rolar, nu, em cima de notas de US$ 100 na cama, de madrugada, sozinho, comendo chocolatinhos do frigobar de um hotel vagabundo, em uma cidade onde descolei a propina de um canal de esgoto superfaturado. Gosto da doce volúpia de ostentar seriedade em salões de caretas que me xingam pelas costas, mas que me invejam pela liberdade cínica que imaginam me habitar. Suas mulheres me olham excitadas, pensando nos brilhantes que poderiam ganhar de mim, viril e sorridente - todo bom ladrão é simpático. A senhora não tem ideia aí, sentada nesta poltrona do Freud, do orgulho que sinto, até quando roubo verbas de remédios para criancinhas, ao dominar a vergonha e transformá-la na bela frieza que constrói o grande homem.
Sei muito bem os gestos rituais da malandragem brasileira: sei fazer imposturas, perfídias, tretas, sei usar falsas virtudes, ostentar dignidade em CPIs, dou beijos de Judas, levo desaforo para casa sim, sei dar abraços de tamanduá e chorar lágrimas de crocodilo...
Eu já declarei de testa alta na Câmara: "Não sei nem imagino como esses milhões de dólares apareceram em minha conta na Suíça, apesar desses extratos todos, pois não tenho nem nunca tive conta no exterior!". Esse grau de mentira é tão íntegro que deixa de ser mentira e vira uma arte.
Doutora, no Brasil há dois tipos de ladrões de colarinho branco: há o ladrão "extensivo" e o "intensivo".
Não tolero os ladrões intensivos, os intempestivos sem classe... Falta-lhes elegância e "finesse". Roubam por rancor, roubam o que lhes aparece na frente, se acham no direito de se vingar de passadas humilhações, dores de corno, porradas na cara não revidadas, suspiros de mãe lavadeira.
Eu, não. Eu sou cordial, um cavalheiro; tenho paciência e sabedoria, comecei pouco a pouco, como as galinhas que roubei na infância, que de grão em grão enchiam o papo... Eu sou aquele que vai roubando ao longo da vida política e, ao fim de décadas, já tem "Renoirs" na parede, iates, helicópteros, esposa infeliz (não sei por que, se dou tudo a ela) e, infelizmente, filhos estroinas... (mandei estudarem na Suíça e não adiantou).
Eu adquiri uma respeitabilidade altaneira que confunde meus inimigos, que ficam na dúvida se me detestam ou admiram. No fundo, eu me acho mesmo especial; não sou comum.
Perto de mim, homens como os mensaleiros amadores foram meros cleptomaníacos... Sou profissional e didático... Considero-me um técnico, um cientista da corrupção nacional...
Olhe para mim, doutora. Eu estou no lugar da verdade. Este país foi feito assim, na vala entre o público e o privado. Há uma grandeza insuspeitada na apropriação indébita, florescem ricos cogumelos na lama das 'maracutaias'.
Ouso mesmo dizer que estou até defendendo uma cultura! São séculos de hábitos e cacoetes sagrados que formam um país. A senhora sabe o que é a beleza do clientelismo ibérico, onde um amigo vale mais que a dura impessoalidade de uma ética vitoriana?
A amizade é mais importante que esta bobagem de interesse nacional! O que meus inimigos chamam de irresponsabilidade e corrupção do Congresso é a resistência da originalidade brasileira, é a preservação generosa do imaginário nacional!
A bosta não produz flores magníficas? O que vocês chamam de "roubalheira", eu chamo de "progresso". Não o frio progresso anglo-saxônico, mas o doce e lento progresso português que formou nossa tolerância, nossa ambivalência entre o público e o privado.
Eu sempre fui muito feliz... Sempre adorei os jantares nordestinos, cheios de moquecas e sarapatéis, sempre amei as cotoveladas cúmplices quando se liberam verbas, os cálidos abraços de famílias de máfias rurais... A senhora me pergunta por que eu lhe procurei?
Tudo bem; vou contar. Outro dia, um delegado que comprei me convidou para ver uma execução. Topei, por curiosidade; podia ser uma experiência interessante na minha trajetória existencial. Era um neguinho traficante que levaram para um terreno baldio, até meio pé de chinelo. Ele implorava quando lhe passaram o fio de nylon no pescoço e apertaram devagar até ele cair estrangulado, bem embaixo de uma placa de financiamento público. Na hora, até me excitei; mas quando cheguei em casa, com meus filhos vendo High School Musical na TV, fui tomado por este mal-estar que vocês chamam de "sentimento de culpa"...
Por isso, doutora, preciso que a senhora me cure logo... Tem muita verba pública aí, muita emenda no orçamento, empreiteiros me ligando sem parar... Tenho de continuar minha missão, doutora..."


sábado, 18 de maio de 2013

Você tem tempo?!

Você tem tempo?! 




"O homem é um cadáver adiado"  Fernando Pessoa. 

Definição bacana, né? Simples e direta! 

Porém, no meio de milhões de estrelas, de quase 7 bilhões de pessoas, em pleno século XXI, ainda vimos muita gente se achar melhor do que os outros. 

O famoso.... "Você sabe com quem está falando?". 
E aquele que não fala, via de regra... pensa! 

Porque eu sou fulano, meu nome é blá, blá, blá de Alcântara blá. 
Ou o "eu tenho tal cargo" ( e haja letras pra compor o nome do cargo da criatura ). 
Nada mais do que as várias máscaras da insegurança humana. 

Despidos das muletas sociais ( status, nomes, dinheiro, fama, cargos... ) somos todos... iguais! 

E numa época do politicamente correto ( ou seria hipócrita?! ), não se diz mais ... favela, mas Comunidade. Não se diz mais pobre, mas ... Menos favorecido. Não se diz mais Empregada doméstica... se diz Secretária do lar. 
E será que a tratativa para com cada uma dessas pessoas mudou também?! Será que são vistos, ou permanecem como  elementos da paisagem? 

Preconceito: juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória.
Arrogante: Aquele que carece de humildade. Que se sente superior a todos. Altivo, prepotente, orgulhoso e extremamente vaidoso.

Para quem ainda não conhece as aulas e palestras do Mário Cortella - Professor filósofo da PUC de São Paulo,  compartilho abaixo o link de uma de suas palestras, sobre ... "Você sabe com quem está falando?". 

Não sei quanto a você mas... eu já estou cansada de assistir a tanta gente pequena, se achando gigante. E me pergunto como cabe tanta arrogância, em meio a quase 7 bilhões de seres humanos. 

Um "tapa na cara" de muitos de nós, com uma singela mensagem de  "vê se te enxerga!". 

Não somos melhores do que ninguém. Mas dependemos uns dos outros, e somos responsáveis pelo impacto que causamos nas vidas deles. 

Pra reflexão! 

Você sabe com quem está falando? ... Ehhh... você tem tempo?! 

Bjs moçada! 



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Puxadinho de luxo!

Puxadinho de luxo! 



Assumo que eu gostaria de escrever nesse espaço somente sobre coisas boas, idéias bacanas, e principalmente, boas iniciativas públicas, que melhorassem a nossa vida de contribuintes.

Mas, está cada dia mais difícil um material positivo pra escrever sobre.
O que mais lemos nos jornais é ... a fanfarra, a má administração feita com o nosso dinheiro.

E, numa semana onde assistimos em rede nacional, 2 deputados - Garotinho ( e seu inseparável lencinho - lembram-se desse escândalo? ) e Eduardo Cunha ( e sua grande lista de suspeitas de irregularidades ) com dedo em riste, xingando-se mutuamente na Câmara Federal, durante a aprovação da PEC de modernização dos Portos, ... também fomos informados que o Governo se tornou um inquilino de luxo em Brasilia.
Mais uma pra conta!

De um lado, estava em jogo com minutos contados, a mudança nas regras do setor portuário ( que agora vai para a rainha, que poderá vetar até 5 itens ), pra tentar ganhar agilidade e parar de perder venda pra outros países mais modernos e menos burocráticos.
E de outro... mais um escândalo de gasto público.
Interessante... o governo tenta se modernizar, para ganhar dinheiro, que irá bancar a máquina pública que nos consome grande parte do dinheiro.

Ehhh... enquanto a grande massa dos brasileiros luta para pagar alugueis num mercado inflacionado ( qualquer dia eu me mudo para uma barraca, uma toca, de tão caro que está o aluguel ), os nossos ministros - hoje temos 39 ministérios, muitos oriundos do governo petista apreciador de pescaria - dispõe de prédios modernos e bonitos... que nos custam por mês mais de 11 milhões de reais.

Puxa... instalações como essas são bem melhores que uma casinha popular, do "Minha casa Minha vida", não é verdade?

Do projeto original de Brasília, idealizado por Juscelino Kubitschek nos idos de 1960 aos dias de hoje, foram tantos ministérios, tanto cargo público gerado, que naturalmente, houve necessidade de novos imóveis, pra acomodar tanta gente, fora da Esplanada.

E guardada a grande falta de consciência no gasto do dinheiro público, historicamente há uma explicação pra coisa. A perversa tradição!
Vivemos num país democrático com um monte de partidos políticos, que se engalfinham por um "lugar ao sol" - e uma conta corrente bem robusta, afora o status, a pompa e circunstância toda.
E nesse jogo de toma lá dá cá, o que mais se vê é concessão, criação de cargos públicos.

Eh ...o primo de um, a amiga do outro, o irmão daquele... e nesse movimento de fisiologismo puro... onde é que colocariam tanta gente, se não nos novos prédios alugados?!

Nesse mesmo Brasil "sem miséria" - quer arrogância maior do que transformá-la em bandeira política? - vamos construindo nosso atraso, em séculos de corrupção e egoísmo.

E não adianta entortarmos o nariz, porque nós não estamos fora dessa paisagem.
Permitimos a realimentação desse "sistema" diariamente!

Enquanto cidades ficam submersas por baixo d'água das enchentes, enquanto milhares de pessoas tentam sobreviver morando pelas ruas das grandes metrópoles, enquanto tantos outros se contentam com os 70 reais da pizza ( assunto de um texto anterior deste blog ) para sair da linha da miséria...

... eu me pergunto quanto é que as novas residências dos ministérios ( e quantos novos ministérios vão se criar - já temos mais um, das pequenas empresas, comandado pelo também vice governador de SP, Afif ) vai nos custar a mais no bolso?!

Prepare-se! O próximo passo talvez seja a construção do puxadinho, para o churrasco do fim de semana.

Ahhh, mas aos finais de semana, os nobres políticos voltam pra casa, né?!

;-(

Até quando, Brasil?!





quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mala pesada, sem alça... e muito, muito cara!

Mala pesada, sem alça... e muito, muito cara! 



Qual é o peso de uma mala baú Louis Vuitton?!
E quanto pesa uma bandeja de prata?!
E ... quanto tempo você gasta pra despachar as suas malas quando viaja?!

Talvez somente os servidores do Senado Federal saibam responder as essas perguntas com precisão. Inclusive quanto que os seus rendimentos custam ao erário!
Essa semana, em mais uma bondosa ação de transparência do Senado, tomamos conhecimento de parte da folha de pagamentos e dos cargos existentes numa das casas mais importantes do país.

Com meia dúzia de cliques, pelo computador ou celular, hoje em dia é possível efetuar o seu check in em todas as cias aéreas do mundo. Garantimos o assento, confirmamos a viagem, tudo on line.
Mesmo assim, descobrimos que o nosso Senado mantém nove funcionários com a função de Assessores de Check in, para facilitar a vida tão atribulada dos Senadores.
Remuneração: de R$14 a R$ 20 mil mensais.
Curioso... um agente de aeroporto, ganha de R$800 a R$1 mil reais por mês.

Ehh... essas malas devem ser mesmo pesadas, né? ... Coisa só pra Hércules carregar!

Quem chega no Aeroporto de Brasília, onde os Senadores tem a sua disposição uma sala vip, pode esbarrar num desses carregadores de luxo - chamados "Funcionários do setor de serviços aeroportuários". Nome pomposo, com tantas letras que deixaria qualquer mordomo inglês vermelho de vergonha!

E por falar em mordomia... descobrimos também que garçons exclusivos para a sala do plenário e o cafezinho do Senado, tem rendimentos mensais de R$ 6 a R$ 10 mil reais.
Um pouquinho menos que o mordomo da residência oficial do Renan Calheiros recebe mensalmente.

Segurar bandeja está pagando bem, né?

Lembremos:

1) Cada Senador ( temos mais de 80 ) tem direito a cinco passagens aéreas de ida e volta da Capital do seu Estado para o DF por mês.
E considerando que as agendas dos nobres parlamentares são sempre tão cheias; com frequência, são pagos os valores integrais das tarifas aéreas, sem os descontos que nós tanto pechinchamos quando precisamos viajar.

2) No desembarque, os Senadores tem carro e motorista à disposição, pagos com recursos públicos.

Ehh... assim fica fácil viajar!

Desde fevereiro, quando Renanzinho retomou sua cadeira no poder, foram anunciadas medidas para redução dos gastos do Senado, em mais de R$ 300 milhões.
Porém, essa reforma administrativa não parece ter atingido as regalias viajantes da corte.

Nessa reforma "austera" anunciada, foram extintos serviços, como, como... como... ah, como o ambulatório gratuito.
Mas o Senadores continuam com o benefício de atendimento médico, odontológico e psicológico, sem limite de reembolso, extensivo para os cônjuges e dependentes até 21 anos.
Enquanto "aqui em baixo", pessoas morrem nos corredores dos hospitais, ou em casa mesmo, porque não tem médico disponível nos postos de saúde do bairro.

Aquela PEC... aquela das domésticas do início do ano... não sabemos se atingiu as 32 pessoas da "administração das residências oficiais" onde moram os Senadores - os apartamentos funcionais com custo oficial declarado de R$ 3,8 mil mês.
Essas pessoas se mantém, entre Brasília e Rio de Janeiro ( resquício da época que a Capital do país era lá ), cuidando das casas dos parlamentares.
Tampouco as assinaturas de revistas, jornais, celular ilimitado que os Senadores usufruem foram cortados. Tuuuudo como dantes!

Realmente... com tantas coisas a se administrar na vida pessoal, deve ser difícil despachar as próprias malas nos aeroportos.

Eu tô morrendo de pena!

E você... quando for à Brasília, não se aborreça com os maleteros, ou o carro que irá lhe apanhar no Aeroporto.

Afinal de contas, nós pagamos esses servidores públicos pra isso mesmo, não é Senador Calheiros?!


* Abaixo, descritivo publicado esta semana no jornal Folha de SP, com as regalias mantidas e os cortes anunciados, que você também paga aos Senadores mensalmente.






sexta-feira, 3 de maio de 2013

O nu... é de propósito!

O nu... é de propósito! 



Há quem diga que folhetins, novelas,  não são mais diversão. Sobretudo em épocas internéticas, com tantos recursos à disposição. Smart tv's, jogos, redes sociais...

Seja por falta de opções ou pela comodidade, eu tenho optado por esse programa tranquilo, em muitas de minhas noites.
E, algo que me chama a atenção - e me motiva a escrever essas linhas - é um dos vários enredos da trama da novela das 9, Salve Jorge.
Ok, não entorte seu nariz!
Eu sei que muita gente não aprecia o texto da Glória Perez, que sofreu duras críticas desde o início da novela - após um fenômeno de audiência como Avenida Brasil, que parou o país nos últimos capítulos, para falar sobre ... vingança.

Dentre os vários temas atuais e reais que essa novela da Glória levanta, estão a escravidão humana, o tráfico de pessoas - e suas ramificações em outros crimes; a compulsão por compras, por mentiras, e... o preconceito da aparência.
Esse é um ponto marcante pra mim, que observo em várias ângulos da trama dela.

Aisha, garota de seus 20 e poucos anos, filha única de um rico casal de turcos, que descobre que fora adotada, e na busca pelo reconhecimento de sua família biológica, vem encontrá-los no Brasil, em uma comunidade - favela - do Rio de Janeiro.
Comunidade está na moda, né? Sobretudo pelas centenas de milhares de votos eleitoreiros. Ehh... e quem ainda consegue acreditar em bondade política ou empresarial?!

Entre as idas e vindas da trama, as mentiras, as desilusões... a escritora leva o espectador - essa é a intenção - a bons questionamentos.

Estamos em pleno século XXI, a todo vapor em produção, tecnologia, ciência.
Descobrimos a cura de várias doenças, estamos na iminência da descoberta da cura da Aids - pra mim a indústria já descobriu faz tempo, e a ganância por produzir várias remédios ao invés de um só é maior - porém... a aparência, o culto ao que se julga ser "belo", "bom", "de valor" ainda parece destorcido demais.

O grande escritor Uruguaio, Eduardo Galeano, disse que: "Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa, mais do que Deus". 

Numa busca desenfreada por aceitação dos diversos grupos sociais, as pessoas talvez estejam esquecendo ser der ... elas mesmas.

E isso não tem nada a ver com idade, como diriam os antigos. Ou ... tem!

Cada vez mais notamos pessoas maduras, de 40, 50 anos ainda envolvidas no jogo das aparências, tão característico dos adolescentes, com o mundo à descobrir.
Cada vez mais vemos gente sozinha, num desespero pela busca da "alma gêmea", da "cara metade", numa falsa interpretação mitológica de Platão, tornando-se por vezes ridículas num cego egoísmo.

E há ainda aqueles que, num ato de desencargo de consciência, culpa, já se mobilizam pelo próximo.
Mas, com uma série de condicionais, é claro!
Ser humano é mesmo engraçado!

Buscamos o amor!... Mesmo sem refletir no que isso quer dizer.
E ... quem não sabe o que busca... aceita qualquer coisa que encontra.

A menina Aisha, na trama, teve um choque ao descobrir que sua família biológica mora na favela, que são pobres. Em contra partida, a família fica feliz em saber que a filha, a irmã, até então dada como morta, está viva, bem, feliz, saudável.

Ironia, não?! Aquela que "tem de tudo" - será mesmo? - não parece feliz ao ver a realidade, a sua história que tanto procurou. E a família pobre, "aparentemente sem nada", transborda de felicidade ao saber da notícia.

Esses, e tantos outros aspectos, de uma mesmo comportamento ... a fragilidade e imaturidade humana, em procurar nas coisas externas, materiais, a resposta - ou o esconderijo perfeito - da felicidade.

E nesse jogo de gato e rato consigo mesmo, gasta-se fortunas, perde-se grandes oportunidades, limita-se o aprendizado, o conhecimento... tudo em nome do aparente.

Vive-se para o outro! Busca-se a aprovação do outro! Como se o outro fosse mais importante e superior a si mesmo.

Pergunte a um milionário... se ele é 100% feliz. Se a sua vida é plena de satisfação, de alegrias.
Desde que ele não seja um grande mentiroso, ele lhe dirá que não.
Um problema de saúde - física, mental ou espiritual; a constante desconfiança, o medo de ser enganado, ou é a incerteza da administração de tantos bens no futuro... sempre haverá algum motivo.

Agora, pergunte a um "pobre" - eu sempre detestei esse termo, não o acho verdadeiro - se ele é feliz.
E, dentro da sua realidade, das suas dores e dificuldades, na sua problemática, muitos dirão que sim, que o são.

Mas... uai? Não dizem que a felicidade não se compra?!

Uma vez, um escritor renomado e bem sucedido, porém angustiado não sabia com o que, foi buscar uma palavra amiga, de conforto com Chico Xavier, em Uberaba - MG.
Chegando lá, após enfrentar uma baita fila pra conversar com o médium, ele começou a contar:

- Sabe Chico... eu sou um homem de sorte. Trabalho no que eu gosto, tenho muito dinheiro, conquistei sucesso, reconhecimento. Tenho família, amigos que me apoiam. Porém, uma angustia me abate sempre. Um aperto no coração, como se algo faltasse em minha vida. 
E Chico, naquela calma toda...  só ouvia. 
- Eu não sei o que me falta. E me sinto envergonhado por isso, porque sei que tem muita gente que gostaria de levar a vida que eu levo. O que eu faço com essa angustia, essa tristeza, Chico? 
E o grande sabido lhe disse: Sim, você tem razão. É um homem de sorte. E não é à toa que tem isso tudo. Toda vez que você se sentir assim triste, angustiado... levante-se e vá ajudar alguém. Vá até onde há dor, sofrimento. Seja útil. E verá que, a gratidão daqueles a quem ajudou, fará com que essa angustia toda, vá embora. 

Ehhh... pois é! De dar arrepio, não é?
Isso foi contado pelo próprio escritor, em uma palestra.

A Aisha da Glória Perez, recebeu a oportunidade de conviver com a realidade, de entender a história que ela tanto buscou, e de conhecer o mundo como de fato é.
Resta saber se nas cenas dos próximos capítulos, ela aceita ou não esse embate consigo mesma, esse amadurecimento.

E quantos de nós, não somos apresentados à realidade todos os dias, horas, minutos?!
E o que fazemos com isso? Inventamos uma desculpa?
Nos esquivamos, fugimos?
Ou enfrentamos a situação com destreza e coração aberto, puro... pronto para aprender mais sobre ... o humano?!

As vezes, a roupa nova do rei nos deixa nus... de propósito.

( em alusão ao grande conto de fadas, do escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen )

Vaidade, orgulho e aparência... só é bom pra indústria de cosméticos e pra cabeleireiro.