quinta-feira, 28 de março de 2013

Mãos lavadas... agora só com anti séptico!

Mãos lavadas... agora só com anti séptico!  




A época era tensa, muitas revoltas e opressão do exército romano. 
E a ordem clara... quando a ameaça surgisse só havia uma sentença... a cruz. 

Negligência: Falta de cuidado, de aplicação, de exatidão, de interesse, incúria, desleixo, preguiça. 
Coragem: Força ou energia moral que leva a afrontar os perigos, valor, destemor. 

Estamos na época da Páscoa, em plena 6º Feira Santa. E o mundo inteiro comemora o feriado. 
Ainda que muitos pensem apenas nos comes e bebes, nos chocolates - muito bons por sinal, e no simbolismo que a data enseja - vale uma boa reflexão sobre esse momento histórico que configurou o início de uma nova era. 

Pôncio Pilatos, administrador da província da Judeia, consequentemente, de Jerusalém, estava ... no olho daquele furacão, e quando trouxeram o grande "anarquista" Jesus até ele - após a traição com um beijo por um daqueles em quem Ele mais confiava, Judas - percebeu que estava em suas mãos condenar aquele homem à cruz ou absolvê-lo. 

- Tu és o Rei dos Judeus ?
- A tua nação e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste ?
- Não acho nele culpa alguma.

E ... como já conhecemos esse triste fim da história... pra não se indispor com os romanos, por negligência ou falta de coragem, ele lavou as mãos e...  entregou Cristo à crucificação. 

Pra se entender o presente, naturalmente é necessário conhecermos a história. Tanto no aspecto público,  quanto nos atos individuais. Tudo tem um porque. 
Com isso, pode-se evitar julgamentos precipitados, condenações injustas... como as que Cristo passou. ( ou deveria ser assim ). 

Num novo momento da história da humanidade, onde até a figura mais importante do catolicismo demonstra sinais de humildade, lava os pés de detentos e convida os cardeais a irem até os mais pobres, a verem a realidade que os cerca... não será válido refletir: quantas vezes não lavamos nossas mãos, frente a dor, a injustiça, a necessidade?!

Cristo só veio ensinar o que era amor, mostrar o que era certo, justo. E foi traído, abandonado e condenado por isso.
Dá pra imaginar a dor que Ele sentiu?! ... Não, não dá!
Por mais que tenhamos sério problemas ( e somente nós sabemos o tamanho das nossas dificuldades ), por mais que sejamos traídos, feridos, prejudicados... ainda assim, a dor Dele foi infinitamente maior do que a nossa.

E mesmo assim... com todas as traduções e alterações dos textos bíblicos, sabemos que no momento crucial da dor... ele pediu perdão por àqueles que não sabiam o que estavam fazendo.

Quase 2 mil anos se passaram, e ainda vimos o material, a aparência sobrepujar a essência do ser humano. 
Políticos com altos salários pagos por impostos e desvios - seriam os Fariseus e Publicanos daquela época?
Empresários egoístas e autoritários - os doutores da lei talvez?!
Gente questionadora sendo oprimida e proibida de expressar seus pensamentos, opiniões - os cristãos já contaminados pela razão, pelo bom senso?!
Uns com muito e muitos com quase nada - e na grande maioria das nações não é assim até hoje?

E será que as coisas realmente mudaram desde aquela época? 

Ok, hoje em dia os cristãos não são mais perseguidos, devorados pelos leões, açoitados em praças públicas, crucificados. 
Mas em compensação, quem tenta caminhar no bem, ser honesto, justo e humano... parece que "não tem sorte na vida".
E aqueles que detém o poder político, econômico e social, ou já se conscientizaram da sua responsabilidade e começaram a ajudar - uma pequena parcela - ou também... lavaram as mãos, como Pilatos, pra evitar "confusão". Pensam somente em si mesmos.

Estarmos atentos às injustiças, aos desmandos de poder, aos erros... é questão de consciência, de civilidade. É dever!
Mas nos esforçarmos pra mudar a situação, pra corrigir erros, pra evitar injustiças ... é ir além. É fazer mais do que a grande maioria faz. Questionar "o sistema" e não se corromper por ele... é não lavar as mãos. Nem com anti séptico social do ... politicamente correto ou socialmente aceitável. 

Bacalhau, vinho verde, chocolate é muito bom. Todo mundo gosta! 
Reflexão, mudança de atitude... é fundamental. 

E não será esse o verdadeiro sentido da Páscoa?!
Libertação... não só da escravidão do povo no deserto, mas... dos nossos pensamentos limitantes, dos nossos julgamentos, enganos, egoísmo ... tempo de corrigir, de recomeçar.

Não precisa mais malhar o Judas no sábado de aleluia... talvez ele já tenha percebido o que fez. 

Feliz Páscoa pra todos! 







segunda-feira, 25 de março de 2013

Quem é escravo de quem?

Quem é escravo de quem? 



Escravo: Adjetivo ou substantivo masculino. Que ou quem está sob o poder absoluto de um senhor que o comprou ou aprisionou. Que ou quem está na dependência de outro. 

Desde a antiguidade, existe a figura do rei, do patrão, do "senhozinho"; e do súdito, do empregado, do escravo... atendendo às suas vontades, aos seus caprichos.
Realezas e criados sempre foram figuras marcantes da história da humanidade. E ainda guardamos o esteriótipo original disso tudo, com as poucas monarquias pelo mundo. Vá a Windsor, na Inglaterra, e verá o que é Palácio de uma rainha... e a quantidade de empregados que ela possui. Todos pagos, é claro, com os impostos.

Mas com a modernidade, o progresso - e a sensibilidade de algumas pessoas corajosas - a escravidão foi abolida, os escravos libertos pra seguir suas vidas, progredir.
Ainda que hoje em dia vejamos situações de "semi escravidão" em países populosos da Ásia, África, e mesmo nos rincões do Brasil, nas roças. Ou com o tráfico humano de pessoas - tão bem demonstrado na ficção.
Talvez as ferramentas tenham mudado, mas os traços de barbárie, desmandos de poder, o egoísmo e a ganância infelizmente, não.

Nesta semana, uma notícia chama a atenção. A quantidade de empregadas domésticas no Brasil diminuiu.
( e será que as casas continuam limpinhas, organizadas, roupas limpas e passadas, e a comida cheirosa na mesa?!)

Por meio de uma PEC - Proposta de Emenda à Constituição ( mais uma de tantas! ) - a categoria reivindica direitos semelhantes aos dos demais trabalhadores, como recolhimento de FGTS, jornada de 44 horas semanais, e outros benefícios, que serão votados pelo Senado nos próximos dias.

Seja pelo aquecimento do mercado ou pela melhora na educação do trabalhador, os antes domésticos, agora começam a migrar para outras atividades, aprender novas funções.
E os dados são sérios... enquanto o IPCA aumentou 6% nos últimos 12 meses, o custo de uma empregada doméstica foi quase o dobro disso, 12% no mesmo período.
Segundo o IBGE ( mensurando as 6 regiões metropolitanas ), houve uma queda de trabalhadores domésticos de quase 3% nos últimos 2 anos.
Até tema de novela elas viraram. As empreguetes - grande sacada sócio cultural da TV Globo!

Natural! Humano! As pessoas querem progredir, evoluir, crescer pessoal e profissionalmente. E isso é inerente à condição humana, e não a quantidade de dinheiro ou status que se possua.

A economia como um todo só tem a ganhar com isso nos próximos anos. Ainda que muitas madames torçam o nariz.

Agora é normal ver pessoas reduzindo seus gastos mensais, se readaptando à condição de arrumar a cama todos os dias, limpar a casa, lavar e passar suas próprias roupas, ir ao supermercado, levar as crianças no colégio, e por aí vai. Como nossas avós faziam, e nem por isso eram menos felizes.

Realidade essa já bastante comum em países de economia mais madura, como na Europa.
Por lá, ter empregados domésticos ( aí inclui babás, jardineiros, motoristas, etc ) todos os dias da semana é luxo, ostentação, desnecessário.

Nas minhas caminhadas diárias, gosto de observar o comportamento das pessoas e, num exercício de não julgar mas compreender o contexto, vejo dezenas de moças vestidas de branco, empurrando carrinhos de bebês, nas pracinhas da cidade, enquanto algumas mães às acompanham mais distantes, preocupadas com temas diversos com as outras amigas, ou estão longe dali.
Vou ao supermercado e noto outras moças, empurrando carrinhos pesados abarrotados de produtos, enquanto suas "patroas" circulam por entre as prateleiras.

Nada contra! Cada um faz o que quer com o que ganha!
Quem trabalha fora, tem pouco tempo para os afazeres domésticos, e naturalmente poderá precisar de uma força, uma ajudinha. Mas... há de se pensar no exagero, na ostentação, na preguiça... além da falta de respeito ao ser humano.

Observo isso e as vezes me pergunto: - quanto será que uma moça dessas ganha por mês? E se um dia os empregados se rebelam - cansados de serem diminuídos - e resolvem não ir trabalhar, como vão fazer? Vão... deixar por fazer?

... Mas e aí? ... quem se tornou escravo de quem?

Nosso país vive um momento próspero - apesar de tanta corrupção e mau uso do dinheiro público - e torço para que essa situação não desvirtue as condições básicas de sobrevivência do ser humano, que as pessoas não se tornem tão dependentes do exterior, das aparências ...  e de outras pessoas para conseguir sobreviver.

Meus pais sempre me ensinaram a arrumar minha própria cama desde pequena. E não me agradaria perceber que hoje em dia eu não saberia mais fazer isso... porque, outras pessoas poderiam fazer por mim.

Facilidades viciam, entorpecem! E via de regra, quando acabam... enlouquecem aquele que se habituou a ser somente servido!

Novos tempos... tempos de fato modernos ( até nosso Papa é moderno e humilde! ).

Ou se adapta na arrumação da própria cama... ou ... dorme no chão.

Compartilhando, um texto escrito em 2010 sobre a escravidão do alto consumo. Ótimo pra reflexão!

bjs moçada!



30/10/2010 |  MULHERES PELO MUNDO | ATUALIDADESCULTURA | 

Como a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos

Nossa convidada de hoje da seção Mulheres no Mundo.
Adriana Setti
No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.
Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.
Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.
Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.
Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.
Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves,  tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).
Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.
Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).
É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte dosavoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.
PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil.










quinta-feira, 21 de março de 2013

Esquerda... não conta nada pra direita!

Esquerda... não conta nada pra direita! 



Uma das frases mais famosas da história da humanidade, dita por Cristo, em um de seus ensinamentos à multidão, foi ... "que a sua mão esquerda não saiba o que dá a sua mão direita".
Frase forte, que determina a caridade sem ostentação. A ajuda sem os holofotes, sem a vaidade em querer aparecer.
Grandes pensadores, religiosos, sábios, sempre a utilizaram como forma de relembrar a recomendação do Cristo. Faça o bem, e não olhe pra trás.

Generosidade: substantivo feminino. Disposição para a bondade e a indulgencia. Qualidade daquele que é generoso.

Termos bacanas pra cabeça desse texto. Aparentemente, pouco comuns nas ações de nossos políticos.

Um mês após a decisão mais comentada no Congresso Nacional, sobre a eliminação do 14º e 15º salários dos parlamentares, a imprensa nos informa que os mesmos criaram novos cargos comissionados e aumentaram a cota de gastos de cada parlamentar.
Ou seja... a economia de mais de 80 milhões - a mesma que o Henriquinho, velho conhecido de mais de 40 anos de poder na Câmara disse não saber o que fazer com ela - não será tão econômica assim.

Retiraram com a mão esquerda, mas... recolocaram com a direita.

Lembremos que ... cada parlamentar nos custa por mês hoje, 26 mil reais em salário +  30 mil de cotas parlamentares + 78 mil  de verba para assessores + 3 mil de auxílio moradia ( com esse valor pago meu aluguel, condomínio, luz, gás, telefone e ainda faço o mercado do mês! ).

Eh... pra quem não é lá muito chegado no "basquete", e trabalha 3 dias por semana... até que esses benefícios são... são.... são o que?!

Continuamos com um salário mínimo de 670 reais pagos para grande parte da população, afora os aposentados. Mas não temos mais miséria, afinal... os 70 reais no bolso de 2 milhões de habitantes os levaram para o disk pizza - tema de texto anterior desse blog.

Nos mantemos com um crescimento econômico pífio, uma taxa de desemprego cada dia mais alta, e a inflação... mascarada pelas bondades eleitoreiras sem lastro.
É redução de IPI, é conta de luz mais baixa, corte nos impostos da cesta básica... camuflagem dos desacertos econômicos do governo.
Nem nas minhas discussões mais ferrenhas com o professor nas aulas de economia na faculdade, admitiria que será isso que irá segurar a inflação este ano.

E em meio a esse turbilhão de acontecimentos, nossa Presida foi pedir a benção ao nosso hermanito Papa Chiquinho, lá no Vaticano.
Mas, pra não incomodar os diplomatas que moram nas duas embaixadas belíssimas que o Brasil mantém por lá, eles resolveram ficar num hotelzinho. Coisa pouca - Westin Excelsior - um dos mais caros do mundo.
A rainha Dilma, Aloísio Mercadante, Antonio Patriota, Gilberto Carvalho, Helena Chagas, e mais dezenas de assessores e seguranças ocuparam 52 apartamentos, cuja diária da suite presidencial gira em torno de 7 mil reais.
E ao desembarcar por lá, jornalistas tão malvados, importunaram a Rainha Dilma, perguntando o que ela achava da tragédia das chuvas em Petrópolis - região serrana do RJ, ao que obtiveram a tão gentil resposta: "- Ah, mas aquelas pessoas não podiam estar mais morando lá".
Claro que não, Presida. Elas deveriam estar com vocês aí no Vaticano, pedindo a benção do Chiquinho. E ao voltar no avião presidencial, acampariam no quintal dos ministérios.
Eu adoraria ver essa cena! rss

Exagero, exorbitância, falta de moderação dos gastos... tudo isso é pouco pra descrever os recentes acontecimentos.

O velho jogo do pão e circo permanece... em pleno século XXI.

Dá-se com uma mão, ... e bem escondidinho... retira-se com a outra.

"A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo. E não pela riqueza dos príncipes". Adam Smith

PS. Qualquer semelhança com a iniciativa privada... não é mera coincidência. É cara de pau mesmo!


sábado, 16 de março de 2013

Curtir ... agora com selo de qualidade!

Curtir... agora com selo de qualidade! 




Nessa semana foi divulgado o Ranking de um site de empregos americano, dos 50 CEO's mais confiáveis. E um garoto de menos de 30 anos, assumiu o posto de número 1.

Mark Zuckerberg, apesar da pouca idade, já é conhecido em todo o mundo como um dos fundadores do maior site de relacionamento do planeta - o Facebook - que contempla números bastante robustos: 1 bilhão de usuários, quase 3 bilhões de curtir por dia, 300 milhões de fotos, num valor de mercado de 10 bilhões de dólares ( contando aí o recente IPO ).

É zero pra perder de vista, heim?

Com tanta gente colocando tanta informação dentro dessa rede, alimentamos diariamente um novo banco de dados mundial. E a especulação do momento é ... quem é o "dono" de tanta informação?!

Há quem diga que este seja um formato com dias contados. Porque seria um modelo chato, inconveniente ( virou vício de voyerismo, tem até terapia pra adictos ), restritivo aos "amigos" que pensam, agem, escolhem como você - e restringe justamente aí a capacidade de ampliar conhecimento, na eterna busca do ser humano - além de ser pouco rentável do ponto de vista de mídia, canal de veiculação de marcas, etc, etc, etc.
Como toda plataforma de internet... ou se reinventa ou morre, por seus ávidos e cada dia mais espertos ( ou prostituídos? ) exigentes usuários.

Mas a notícia da semana, tem muito mais a ver com a postura, a maneira de conduzir um negócio do que com números e especulações de mercado.

Com a simples pergunta: "Você aprova ou desaprova a maneira como seu CEO está conduzindo a empresa", Mark recebeu 99% de aprovação, passando na frente de já conhecidos no ranking, como Tim Cook, da Apple, ou Larry Page, do Google.

Esse foi o critério utilizado pelo site pra conduzir a pesquisa e chegar no resultado. Uma pergunta fechada, mas que pra respondê-la seguramente, foram considerados uma série de fatores, bastante humanos por sinal.

Confiança: Substantivo. Esperança firme em alguém ou alguma coisa. Sentimento de segurança, certeza e tranquilidade na probidade de alguém.

Confiar em uma ideia, em uma pessoa, num grupo, na forma de condução. Crer que aquela pessoa ou local, será capaz de fazer por você, o que você faria por ela. ( olha a reciprocidade aí... faça aos outros apenas o que gostaria que os outros fizessem a você )
Tudo isso, e mais um pouco, são lados de um mesmo sentimento, inerente a todos nós.

Por sorte, acho que eu tive bons exemplos de confiança na minha vida profissional e pessoal.
Comecei a trabalhar cedo, aos 17 anos, como forma de ajudar a pagar meus estudos. E por 6 anos trabalhei numa multinacional americana, que tinha no Brasil um Ceo argentino ( pois é, nem tudo é perfeito. rs ).
Um sujeito educado, um tanto quanto sisudo, mas bastante presente.
Essa empresa - como muitas do mercado - passou por um processo de enxugamento, pra posterior venda ( num dos casos mais sigilosos do mundo ), e ele, numa marcante tarde, na frente de mais de 300 pessoas que esperavam uma explicação, apenas nos disse: "Eu sei tanto quanto cada um de vocês".
O cara podia ter dito qualquer coisa, ter estufado o peito, ter virado as costas e pego o 1º avião pra matriz.
Mas... ele escolheu ficar naquele momento, e nos mostrar que não era tão distante como parecia.

Quando me contrataram para essa empresa, o gerente da área me disse: "aqui, nós não contratamos somente pessoas que conhecem excel, power point, inglês... tudo isso é fácil, a gente ensina e as pessoas aprendem. Mas aqui... nós contratamos gente de caráter".
Caramba... como isso me marcou!

Anos depois, ao visitar a matriz de uma rede de supermercados em São Paulo, já numa outra empresa, de alimentos, conheci um homem de uns 70 anos. E enquanto caminhávamos pelo estacionamento, ele cumprimentava a cada funcionário que o via, pelo nome. Eram muitos!
Eu me lembro que ele parava e perguntava: - ei fulano, e como está seu filho? Para um outro dizia: E sua mãe, melhorou daquele probleminha? Está tudo bem?
Ao chegamos no refeitório do local, ele sentou-se com os cozinheiros que almoçavam por ali, pegou o seu pratinho e ... acho que poucas vezes na vida tive um almoço tão divertido e espontâneo.
Ele era o fundador e 2º maior empresário do setor no país. Mas ali dentro, era só mais um funcionário.

E o que eles tinham em comum?! Proximidade. Simplicidade. Humildade.

Grandes estadistas ( quem não assistiu Lincoln ainda, vá ver e entenderá o que é isso ), pensadores, revolucionários ( Cristo, Gandhi, Mandela, etc ) ... todos eles tinham em comum... a proximidade, e a consequente admiração e confiança de seus liderados.

Liderar não é tarefa fácil. São pessoas diferentes, histórias de vida tão particulares, necessidades, medos, talentos... uma miscelânea de gente e situações que precisam ser conduzidas num objetivo comum.

E é tanta politicagem, tantos interesses conflitantes, que aquele que detém uma posição de líder, fatalmente terá muitos momentos solitários. Faz parte do processo... até pra tomada de decisão ser o mais imparcial possível ( ou deveria ser assim ).

Liderar é troço solitário... o preço que se paga pela "fama"!

Mas... ser confiável... é muito melhor!
Porque a confiança ( a de verdade, não a fruto de bajulação e interesse ) é paga com algo que dinheiro não paga. Ela é paga com ... confiança! :-)

Guardadas as proporções ( e talvez as jogadas políticas do meio ), parabéns ao Mark!
E que o Facebook se mantenha como um grande, moderno e confiável lugar para se trabalhar e se desenvolver.

E um estímulo para tantos outros ... que se aproximem de seus funcionários, amigos, concorrentes, familiares... e construam, fortaleçam... a confiança!

Eu ... curti! E você?

Link da matéria publicada: http://blogs.estadao.com.br/link/zuckerberg-e-eleito-o-ceo-mais-confiavel/


segunda-feira, 11 de março de 2013

Mosquitos do Templo

Mosquitos no Templo 


Essa pintura belíssima aí em cima, é do artista El Greco, hoje exposta na National Galery of Art, em Washington DC.
Ela retrata um momento marcante da passagem de Jesus Cristo, quando ele foi com seus discípulos até Jerusalém, e vendo aquele comércio todo na frente do Templo... literalmente, pôs pra correr aquela gente de lá. - "Não façais da casa de meu Pai casa de negociantes".
Gosto de imaginar a cena: banquinhas voando ao vento, gente oportunista correndo de medo, produtos caindo pelo chão. Uma baita confusão!
Mas, ao mesmo tempo, os doutores da lei, os donos do pedaço... temerosos, afinal, quem seria aquele jovem rapaz, com tanta moral, ética e coragem... que incomodava "os negócios" da região?! Quem ele pensava que era pra enfrentá-los?!
E ... o final triste dessa história, todos nós já conhecemos. Deram um sumiço em quem dizia a verdade.
Mataram o homem. E sua ideia, permanece viva até hoje.

Uma bela imagem, pra cabeça desse texto sobre o evento que ocorre agora, no menor país do mundo. O Vaticano, na Itália ( a 4º maior economia da Europa, e uma das que mais sofre com a crise econômica ).
O Conclave, reunião dos cardeais, para a escolha do novo Papa.
Confesso que relutei em escrever sobre esse tema.
Afinal, não sou nenhuma estudiosa tão religiosa assim ( estudo há anos religião, filosofia, e cada dia descubro que sei menos ).
Porém, também penso que expressar opinião, compartilhar conhecimento, é uma forma de fazer parte, ficar menos impassível diante do todo.

Estamos na iminência de um novo Papa - Habemus Papum - na Igreja Católica.
E o mundo parou pra acompanhar isso!

Religião: Substantivo feminino. Vem do latim e significa religare. Religar-se com o Criador.

Dizem que religião, é feito política ou futebol. Não se discute! Cada um tem a sua. Concordo!
Que fique claro que eu não sou contra nenhuma ceita ou religião. Acho válida todas que tornem o cidadão uma pessoa melhor, mais humana, justa, um homem de bem.
E como ainda não inventaram uma religião de avatares, fatalmente, onde houver o ser humano, haverá torpezas, desmandos, erros.

Sabemos que a Igreja católica perdeu muitos fiéis com o passar dos anos.
Pelas posturas ditas pouco flexíveis com assuntos "modernosos";  pelo posicionamento polêmico frente a temas atuais, como uso de camisinha, homo sexualidade, drogas... os cardeais, o Papa, distanciaram fieis, muitos dos quais, migraram para outras religiões ditas mais "abertas".

E em meio a recentes descobertas de desvio de dinheiro ( olha lá... sempre o vil metal, até na mais alta - alta?! - cúpula ), além dos casos horrorosos de pedofilia... um Papa renuncia ao postulado, marca a história da Igreja e da humanidade com isso, e movimenta todo esse cenário.

Penso nesse grande espetáculo que se tornou o Conclave, e me questiono: Ora, se o Estado é laico, da mesma forma como virou notícia a escolha de um Papa, poderá ser notícia a escolha do novo grande milionário no Ranking da Revista Forbes - pastor Edir Macedo. Assim como um novo rabino, um novo pai de santo, e ... por aí vai.

E quem paga toda essa conta?!
Numa época onde milhares de pessoas morrem de fome em continentes devastados por secas, miséria, aids e guerras, como a iminente na Ásia, com as Coreias.
Será o cestinho que passa rigorosamente em todas as missas do bairro, as velas, imagens, livros, e tudo o mais que é vendido... em nome da Santa Igreja?
E o que se faz com todos os imóveis, terrenos, bens, que são doados ou herdados à igreja por pessoas que morrem?

Pra mim, a pergunta que fica é: há necessidade de tanto formalismo e mídia em cima do tema?
Em pleno século XXI, com os problemas sociais mundiais e na pujança da tecnologia a nosso favor - não precisa mais de fumacinha preta ou branca pra se comunicar - será que a igreja católica não perde aí, mais uma chance de se modernizar, ganhar agilidade e conversar em igualdade com seus fiéis? - os mesmos que, direta ou indiretamente, suportam financeiramente toda essa estrutura?

Há de ser ter um bom Papa, um bom representante mundial da Igreja católica!
E que seja um homem à frente de seu tempo, capaz de passar por cima de políticas, intrigas, ganâncias. Que dialogue e entenda seu povo. Que ensine a humanidade a conviver de maneira mais harmoniosa, uns com os outros.

Enquanto ele não vem, voltamos no tempo das cavernas, e esperamos do lado de fora do "Templo", a cor da fumacinha... feito mosquitos.

Habemun Papum

Ooolha a camiseeeeta - 50 euros, tá barato... tá barato... quem vai querer? quem vai querer?! 


sábado, 9 de março de 2013

Deixa o santo em paz!

Deixa o santo em paz! 




"...são as águas de março fechando o verão...

Todo ano é sempre a mesma coisa. Fortes chuvas de verão, verdadeiras tempestades... e alagamentos, congestionamentos, pessoas feridas, mortes, prejuízos pra muita gente. 

E é um tal de colocar a culpa no santo velhinho... São Pedro fez isso, São Pedro fez aquilo... olha lá, já tá ele arrastando os móveis de novo... 

Como se a culpa fosse da chuva! Chuva é um fenômeno natural, resultado da condensação da água e sua precipitação. 

Ontem São Paulo teve um dos maiores congestionamentos da história. Mais de 266 km ( tô pra descobrir quem é que fica contando com fita métrica quantos metros de trânsito tem pela cidade. :-p).
Milhares de pessoas gastaram horas pra chegar em casa, outras tantas ficaram ilhadas, gente que teve a casa inundada e por aí vai.

As 19:00hs, a cidade estava um caos. Semáforos apagados, buzinas ensurdecedoras... tudo por causa dela. Dela?! 

A cidade não pára de crescer. Viramos um canteiro de obras!. ... é asfalto, concreto pra todo lado, com poucas áreas verdes - estamos impermeáveis!
E assim, por onde a água das chuvas vai escoar?! Pelos boeiros?! Como, se estão todos entupidos pelo lixo jogado nas calçadas, pelas pessoas nos carros, de dentro dos ônibus?

Ok, o governo, a prefeitura, tem uma grande parcela de responsabilidade nesse caos. Já passou da hora dos semáforos serem inteligentes. Isso deveria ser prioridade zero do novo galante prefeito Haddad.
Os milhões de reais arrecadados com a máquina de fazer dinheiro das multas de trânsito, IPVA, ISS... até os royalts do petróleo para o Estado ( ainda em discussão! )... vão pra onde, se não os vemos nos benefícios em transporte público de qualidade, em boas ruas asfaltadas ( asfalto de verdade, não essa mistura baratinha, de piche com borracha, que faz mais buraco e estraga os escapamentos dos carros ), em praças e áreas verdes bem cuidadas, em parcerias público privadas, etc?!

Tuuudo isso é certo, e temos mais é que cobrar, exigir, azucrinar a vida desses políticos!
Mas... e o que nós fazemos pra melhorar o nosso entorno?!
Será que grande parte de nossos problemas não são fruto do nosso egoísmo?! De pensar somente em nós, quando muito nos nossos?!

Por vezes ouvi o despautério ( esse aqui é um espaço aberto, e posso rasgar o verbo como sempre quis! ) que: "ah, não adianta ter rodízio, porque com a facilidade de crédito, a gente compra outro carro, com outro final de placa!"... ou... "ah, eu não ando de ônibus, nem de metrô... o que é que vão dizer de mim?" ... ou  " eu não dou carona pra ninguém não. Vai saber que tipo de pessoa entrará no meu carro" ... ou ainda ... "usar bicicleta? ... e chegar todo suado no trabalho?!".. e por aí vai...

Cada um faz o que quer, claro!
Mas viver em uma grande metrópole como São Paulo ( e isso não é exclusividade nossa. As maiores capitais do mundo vivem problemas semelhantes! ) tem seu ônus e seu bônus.
Londres, por exemplo, teve de encontrar alternativas pra minimizar os transtornos do trânsito. Hoje entrar de carro no centro da city é desembolsar uma boa grana em libras ( dói no bolso! ), com o pedágio urbano.  Tudo isso pra estimular o uso do metrô ( que é muito mais eficiente por lá... atende toda a cidade, até seus extremos ) e dos vermelhinhos ônibus, além das bicicletas.

Aqui nós temos as grandes oportunidades profissionais, os melhores teatros e cinemas ( ainda que caros, por conta dos impostos embutidos nos preços ), os melhores restaurantes, museus, a facilidade de ter tudo aberto 24 horas por dia... porém, temos que conviver com mais de 12 milhões de pessoas, num frenético vai e vem sem fim.

Gente que produz quilos de lixo por dia, que gasta água, energia, combustível, alimentos, etc, etc, etc.

E aí??? Como é que vamos fazer?
Crianças não param de nascer... os idosos cada dia mais velhinhos serelepes por aí ... e...???

Talvez a solução pra grande parte das agruras,  das dores de nós seres humanos, esteja numa palavrinha de 13 letras : SOLIDARIEDADE.

Pensarmos mais no todo, no coletivo. Sairmos de nós mesmos e notarmos que ... enquanto não pensarmos que nossas ações tem impacto direto na vida de outras pessoas... cada dia ficará pior.

Pra começar?! ... que tal conhecer seus vizinhos de prédio, de bairro ou de caminho?! Porque não mobilizar uma turma e fazerem uma carona solidária? Cada semana, um fica encarregado de passar e pegar a turma em casa ou no trabalho. - já seriam 3 carros a menos nas ruas!
Mesmo que não seja do lado de casa, vai batendo papo no carro - melhor do que ficar parado no trânsito, imerso no maldito celular, alheio ao universo, perigando bater no carro da frente!

E o lixo?! Porque não se organizar com a turma do prédio, do bairro, e fazer uma coleta seletiva? Ou juntar todo o jornal da semana dos apartamentos, da vizinhança, e doar para algum projeto de reciclagem? Assim como as latinhas de cerveja do churrasco do domingo?

Sabe aquela bicicleta encostada há anos na parede da garagem? Porque não dar uma recauchutada na magrela e voltar a pedalar ( ninguém esquece como se anda de bicicleta! ) ou doá-la para projetos sociais, que emprestam bicicletas pra gente que não tem dinheiro para ir ao trabalho. Pedal Social é um desses projetos.

Tem muitas formas de melhorar a nossa qualidade de vida! E pensarmos nos outros é um bom caminho pra começar.

E ainda assim podemos dizer... "Ah, mas eu posso pensar nos outros, mas ninguém mais pensa!"
... vai fazendo... vai fazendo. A melhor forma de ensinar ainda é ... pelo exemplo! ;-)

E... paremos de culpar o santo! ... Deixa o coitado em paz!

bjs,



quarta-feira, 6 de março de 2013

O último choro

O último choro 



Logo cedo, líamos na mídia a notícia que o vocalista da banda Charlie Brown Jr - o Chorão, fora encontrado morto em seu apartamento na zona oeste de São Paulo.

A comoção foi geral. Crianças, jovens, maduros. Tantos comentários nas redes sociais, como uma forma de homenagear esse homem de 42 anos, reconhecido por suas letras incisivas, com apelo urbano, social bastante forte.
Chorão, um menino de Santos - São Paulo, trazia na música um pouco da realidade de nosso país.
Suas percepções iam além das letras e dos shows. Várias obras sociais eram patrocinadas por ele.
Mais sério que muito empresário fajuto por aí, que políticos, artistas, gente da mídia que aparece quando é conveniente, quando é ... "pra Globo".

Enquanto a polícia investiga a possível overdose do cantor, prefiro dividir com você que parou pra ler essas linhas, um tema que há muito me instiga... porque as pessoas consomem drogas.

A OMS reviu anos atrás essa questão da dependência química e considera a partir de então como doença ( tem CID ) o consumo frequente dessas substâncias.
O adicto - aquele que consome a substância - para ser tratado, requer uma equipe de médicos, psicólogos e psiquiatras. Essa é uma doença bio psico social, que demanda tempo e custo elevado.

Meses atrás, numa tentativa do governo de São Paulo, de retirar das ruas usuários de crack, anunciaram um programa de internação forçada dessas pessoas.
Para quem não está familiarizado com o tema, o tratamento de um dependente químico consiste no seu isolamento da sociedade por um período inicial de aproximadamente 40 dias. É quando a ausência da substância no organismo começa a trazer de volta os primeiros sinais da auto estima.
É o chamado período da abstinência.
Após esse período ( se ele conseguir suportar ), é que entram os trabalhos com terapeutas, psicólogos, médicos e psiquiatras. Essa processo leva em média 6, 8 meses, onde o adicto retoma o contato consigo mesmo. Vai lá no fundo... tentar descobrir o que o levou ao uso da substância, e ... diante desse enfrentamento consigo mesmo, se recupera, se reergue e ... sai, vem pra "ressô" - ressocialização, enfrentar a sociedade que o oprime, o descrimina, não o compreende.
Todo o processo é lento, doloroso e dispendioso.
A pergunta que faço ( e que a mídia já começa a mostrar a resposta 2 meses após o início dessa ação ) é ... o governo está preparado pra gastar tanto tempo e dinheiro com essas pessoas?
Retirá-las das ruas por algumas semanas, para depois trazê-las novamente para a sociedade sem uma estrutura familiar, sem um emprego... não será mais gasto de dinheiro público, num retrabalho sem fim?

Essa é uma das perguntas que deixo no ar... pra reflexão.

Mas, o que leva uma pessoa ao uso dessas substâncias?
Ausência de limites, más companhias, fragilidades, insegurança, medo, angústia, tristeza, raiva... todos esses são sentimentos limitantes da criatura humana, todos nós podemos tê-los.
Alguns, a ponto de recorrer a essas substâncias como forma de fuga do enfrentamento da realidade.
Enfrentar a realidade dói, machuca! Amadurecer, assumir seus erros e escolhas é um processo doloroso. Mas necessário!
Mais dia menos dia, a vida apresenta as situações que precisam ser enfrentadas. É assim pra todo mundo.

O uso e o abuso dessas substâncias, fatalmente termina em um dos 3 "c"s - caixão, clínica de recuperação ou cadeia. Mas todo dependente químico acha que pode controlar tudo. Não percebe que se deixa controlar.

E a sociedade tende a hostilizar tudo o que não compreende.
Aquele que faz uso dessas substâncias, quando chega no nível de dependência elevado, dificilmente encontra compreensão, acolhida.
São familiares que não compreendem feridos que estão no seu ego de co-dependentes; são os "amigos" que se vão, são as pessoas queridas que se afastam... e por aí vai.

Em uma das várias palestras que tive que assistir pra colaborar na ONG, me recordo de um exemplo que nosso terapeuta contou, de um empresário bem sucedido, viciado em cocaína, em SP.
No auge da crise, chamaram o terapeuta para acompanhá-lo durante a remoção para a clínica. E, antes de entrar na ambulância, o empresário cuspia na própria mão, como forma de sentir novamente o cheiro e gosto da cocaína nas suas narinas.
Não era um favelado, nem um marginal. Era um grande empresário, respeitado, com "alto garbo e elegância".
Penso que a droga é mais uma dessas coisas que nos nivelam a todos por baixo. Assim como a dor, o medo, o sofrimento. Tanto o rico quanto o pobre sentem dor, sentem medo.
Há os que enfrentam. Há os que fogem.
Somos todos... humanos, vivemos numa sociedade.

E pra mim, se um não ajudar ao outro, de que adianta? Que mundo criaremos para nossos filhos? Que exemplo daremos para nossas crianças? "- olha, pense primeiro em você, segundo em você e terceiro no seu bolso. Se sobrar tempo, pense no outro, mas só naquele que poderá te dar algo em troca, ok?!" - criaremos monstros, não seres humanos dessa forma.

Se confirmado a overdose de Chorão, esse foi mais um dos talentosos artistas que perderam a vida de maneira trágica, assim como Elis Regina, Renato Russo, etc...

E que a morte desse rapaz reacenda o debate na sociedade sobre o consumo das drogas ( e todos os fatores implicantes disso como tráfico, armas de fogo, etc ) e o fim comum de tudo isso.

Chorão ajudou em vida a muita gente. E poderá continuar ajudando... ao levantar essa bandeira da conscientização de que qualquer droga ( cigarro, álcool, remédios, etc ) não pode conduzir a um caminho seguro... tampouco... feliz.

Só a um caminho de muito ... choro.



terça-feira, 5 de março de 2013

Ouro Negro Made in China?!

Ouro Negro Made in China



Hoje saiu na imprensa mundial que a China passou os EUA e agora, se torna o maior importador de petróleo do mundo!
Ainda que sejam dados preliminares, isso é assustador!

Desde meus bancos de escola, aprendi que os EUA compravam petróleo e estocavam ( americanos não são bobos! ), mas agora pensar na possibilidade do mundo ser comandado em mandarin... definitivamente, não me agrada.

Nada contra os chineses e sua aversão a políticas trabalhistas adequadas. Nem aquela comidinha nojenta, que se move sozinha sobre seu prato no almoço. Nem em saber que eles, e os sauditas, e os africanos, estão comprando terras na América Latina - grandes extensões - e por ora, não fazem nada com isso. Apenas esperam! ... talvez pra futuro plantio, e exportação para seus países. ;-(

Em 2013, a China continuará lutando contra a inflação, assim como nós. Porém ela crescerá muito mais do que nós!

Resta ao Brasil saber explorar essa situação que mexe com toda a geopolítica mundial, de maneira sábia, sem a arrogância de que "o petróleo é nosso". Nem tanto!
Ter grandes reservas, o pré sal ainda tão pouco explorado ( e que custará caro por isso ), definitivamente, não nos dá tanta tranquilidade para observar impassíveis a essas movimentações no mundo.
Nosso % de importações tem crescido em relação as exportações. E em sua grande maioria, produtos vindos da China!

Não é minha intenção aqui fazer crítica a produtos chineses. Cada um faz o que quer com seu dinheiro.
Mas se cada um de nós observássemos as etiquetas dos produtos que compramos, o "Made in China" ou "Hecho na China"... talvez nos questionássemos porque tanto?! Pra quem adquiri-los? Será que o "barato" de hoje... não sairá caro amanhã?!

Seja por aversão alimentar, por barreira cultural ou ideal político... não me agrada pensar em ser comandada por esses vizinhos de planeta um tanto quanto... estranhos.

E agora, com a morte de Hugo Chaves (ainda que tenha deixado seus sucessor Maduro no poder ) da Venezuela, ficamos na expectativa do que vem na economia mundial nos próximos meses.

A ver... a ver...