domingo, 1 de março de 2015

Desentope o canudinho!

Saúde

 
 

 

Sabe quando tomamos aquele suco bem refrescante... de canudinho? E quando o canudinho entope com algum pedaço da fruta?

Esse texto não é sobre culinária. Nem sobre política e economia. O texto de hoje é sobre doenças e como conviver com a situação.

Ninguém gosta de ficar doente, correto?
E quando quem fica doente é um familiar, um amigo... aí parece que é pior ainda!

De maneira despretensiosa... esse texto inaugura uma série de artigos sobre as principais doenças que acometem idosos – acima dos 60 anos, com informações sobre sintomas, tratamento e algumas dicas de convivência.
Naturalmente, o 1º tema dessa série será sobre uma das doenças mais comuns e fatais, que responde por 30% do total de mortes no mundo.

Canudinhos entupidos. O Infarto!

Infarto Agudo do Miocárdio ou Ataque Cardíaco é o nome técnico utilizado para descrever  um interrompimento do fluxo de sangue que segue pelas artérias coronárias levando oxigênio até o coração ( o tal do miocárdio, um músculo que tem mais ou menos o tamanho de um punho adulto fechado, e fica localizado abaixo do osso anterior do tórax, conhecido como externo ).
 



Quando a capa de gordura obstrui a artéria o sangue não passa.

Dentro desse complexo sistema que é o corpo humano, o papel do coração é enviar sangue rico em oxigênio para todas as células no corpo.
 
E as artérias – os canudinhos – são as vias por onde esse sangue oxigenado passa.
Mas... como qualquer outro músculo do corpo, ele também precisa de oxigênio para funcionar.

Esse oxigênio chega até o coração através das famosas artérias coronárias ( direita e esquerda )

 

Se essas artérias - uns canudinhos beeem fininhos – se entopem ( chamam isso de obstrução abrupta!), o sangue não passa e formam espécie de bloqueios ( os coágulos ) sobre uma placa de gordura ( chamada ateroma ) que fica dentro desses canudinhos.

E se o sangue não passa... o coração para de bater, de bombear o oxigênio para o restante do corpo.
Mas... porque esses canudinhos entopem?
Existe o que os médicos chamam de fatores de risco:

1) Fumantes;

2) Quem consome bebidas alcoólicas;

3) Quem come gordura, fritura e doces e tem colesterol elevado;

4) Sedentários;

5) Estressados;

6) Quem já tem histórico na família;

7) Diabéticos;

8) Quem usa drogas como cocaína e êxtase;

9) Aquele que já passou dos 45 anos... está nesse grupo também.

Pois é, além do fator genético, a maneira como nós vivemos no nosso dia a dia exerce forte influência num possível infarto.

Uma alimentação pouco saudável, aliada com o stress do dia a dia, pode levar  pessoas a desenvolver grossas placas de gordura nas artérias - chamam de aterosclerose - e quando dá aquela dor no peito tão comum em quem tem problemas de coração ( e aí não tem nada a ver com paixão, ok? ) ... pode ser sim ... a placa de gordura que cresceu muito, e está dificultando a passagem de sangue pela veia.

Geralmente dói... quando essa obstrução da artéria já está acima de 70%.

Ou seja... é como se o sangue só tivesse 30% do espaço do canudinho... pra passar, entendeu?

Mas o infarto não ocorre apenas quando a gordura cresce dentro desse "canudinho" e entope a artéria.

A simples formação de coágulos por alguma ruptura na parede de gordura... já pode causar um infarto.

Vamos simplificar!?

Se a pessoa é atleta, corre, nada, se alimenta bem, ótimo pra ela.
Porém... isso não a isenta de ter um infarto.
Poderá não sentir aquela dor característica no peito que se estende para o braço esquerdo ( dor sintomática ), mas sem exames periódicos e acompanhamento médico, poderá sofrer um infarto sim.

Infartou! E agora?  

Uma vez diagnosticado o infarto ( seja ele com a dor típica ou sem sintomas aparentes ) na emergência do hospital os médicos farão alguns exames pra checar o que está acontecendo dentro do coração.
Geralmente... é feito um eletrocardiograma - aquele exame cheio de fios que são colados no paciente, e que ficam ligados numa maquina que desenha umas linhas que sobem e descem, sobem e descem...
Se houver alterações nos batimentos cardíacos... aquelas linhas vão acusar o que os médicos chamam de espasmos.
Além disso... um exame fundamental ... é o de sangue.
Sangue? Sangue pra ver infarto?
Sim! Isso mesmo!
Através da contagem de enzimas... é possível identificar se houve infarto ou não; e qual é a gravidade.
Os médicos as chamam de marcadores de necrose miocárdica. E essas contagens são feitas várias vezes.

Como se trata um infarto?  

Um dos procedimentos mais comuns é a Angioplastia Coronária.

Através de um cateter ( um canudinho muuito mais fino que o canudinho da artéria ) que é introduzido no paciente por um micro corte logo abaixo da barriga, do lado da perna... o médico vai com uma câmera até a artéria obstruída e tenta desentupi-la.

Na pontinha desse micro canudinho... pode ir algo como se fosse uma bexiga murcha.

Ao comando do médico... a bexiga estufa e ... “empurra” aquela placa de gordura, comprimindo-a na parece da artéria.
Tudo isso... pra ganhar espaço para o sangue conseguir correr novamente e levar o oxigênio ao coração.

Após esse procedimento... para evitar que a placa de gordura volte a crescer e interrompa o fluxo de sangue... o médico coloca uma “molinha” na artéria, que não deixa ela fechar mais. Essa molinha... é chamada  de stent!

As vezes, a lesão das artérias é muito severa, e esse procedimento... não é suficiente para trazer de volta todas as funções do coração.
Aí... os médicos fazem uma cirurgia de revascularização do miocárdio.

Já ouviu falar de ponte de safena ou ponte mamária?! Pois é isso!
Basicamente, a Ponte de safena se dá quando o médico usa uma veia da perna, e a Ponte Mamária é quando  traz uma veia que está atrás do coração, para fazer uma ponte sobre a artéria ferida, e conseguir regular o fluso sanguíneo até o órgão.
Essa cirurgia como todas, é de alto risco ao paciente.

Pode durar de 4 a 6 horas.

O paciente toma anestesia geral e é regra de todo hospital que desde o início da operação, um familiar esteja presente na sala de espera e que fique até o término da mesma.
Pra mexer no coração, os médicos ainda optam ( com o consentimento da família ) por trabalhar com o coração funcionando ou ... “parar” o coração e ligar o paciente a uma máquina.
Quando a cirurgia termina, eles desligam a máquina e "religam" o paciente.
Parece assustador? Fique calmo!
Esse procedimento é muito comum e utilizado no mundo todo.

A cirurgia foi um sucesso! E agora?

Logo que o paciente acorda após uma cirurgia tão complexa como essa, geralmente ele estará entubado ( nome esquisito, né?)  e talvez esteja amarrado ( restringido! ) na maca.
Porque isso ocorre?
Depois de uma longa "viagem" para uma quase morte,  quando despertamos o primeiro impulso que temos é o de retirar tudo o que nos impeça, que seja estranho, sobre nós.
E retirar o tubo de oxigênio nesse momento pode ser fatal.
Por isso... os enfermeiros restringem o paciente na maca... até a completa recuperação dos seus sentidos.
Também é comum que logo após a alta do hospital o paciente fique uns 12 dias... num quadro de apatia, uma quase depressão.
Não há comprovações científicas, mas ... os médicos dizem que é uma fase de readaptação do organismo.
Fique calmo! Isso também passa!
Pense que o corpo humano é uma grande orquestra, onde cada órgão depende do outro.
Ao mexer num órgão, o outro vai sentir e "se proteger", porque ninguém contou pra ele o que estava acontecendo, né?

Então... pacientes que passam por esses procedimentos... muitas vezes tem formação de líquido no pulmão, por exemplo.

Aí... dá um desconforto na hora de respirar, aquele chiado que mais parece “gatinhos” no peito, tosse, pigarro... por muitos dias.
Além disso... como o fluxo sanguíneo é alterado após uma cirurgia dessas, pode acontecer complicações nos rins... uma insuficiência renal.
Tudo isso é controlado com remédios! E os médicos ficam bastante atentos!

Lembre-se que artérias lesionadas nunca mais ficam curadas. Mas podem ser controladas... através dos remédios.

Não é lenda que o AAS - Ácido Acetilsalicílico -  “afina” o sangue, e por isso ajuda que ele "corra" com mais facilidade pelas artérias.

Esse e outros medicamentos são fundamentais para pacientes cardiopatas levarem uma vida saudável.  Monocordil, Sinvastativa, Carvedilol, etc.

Então... da próxima vez que você souber de alguém em desespero porque um ente querido infartou... lembre-se do canudinho!
E de que há solução para esse problema, se diagnosticado... em tempo.
Todas as informações acima citadas são fruto de experiência pessoal vivida, e de informações que fui obtendo ao longo do tempo com médicos e enfermeiros.

Não sou médica cardiologista!
Mas já sofri e aprendi muito com essas situações.

Por isso... resolvi compartilhar com vocês à título de informação e conhecimento.

Infartou? ... Fique calmo pra desentupir o canudinho. ;-)  

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