sexta-feira, 3 de maio de 2013

O nu... é de propósito!

O nu... é de propósito! 



Há quem diga que folhetins, novelas,  não são mais diversão. Sobretudo em épocas internéticas, com tantos recursos à disposição. Smart tv's, jogos, redes sociais...

Seja por falta de opções ou pela comodidade, eu tenho optado por esse programa tranquilo, em muitas de minhas noites.
E, algo que me chama a atenção - e me motiva a escrever essas linhas - é um dos vários enredos da trama da novela das 9, Salve Jorge.
Ok, não entorte seu nariz!
Eu sei que muita gente não aprecia o texto da Glória Perez, que sofreu duras críticas desde o início da novela - após um fenômeno de audiência como Avenida Brasil, que parou o país nos últimos capítulos, para falar sobre ... vingança.

Dentre os vários temas atuais e reais que essa novela da Glória levanta, estão a escravidão humana, o tráfico de pessoas - e suas ramificações em outros crimes; a compulsão por compras, por mentiras, e... o preconceito da aparência.
Esse é um ponto marcante pra mim, que observo em várias ângulos da trama dela.

Aisha, garota de seus 20 e poucos anos, filha única de um rico casal de turcos, que descobre que fora adotada, e na busca pelo reconhecimento de sua família biológica, vem encontrá-los no Brasil, em uma comunidade - favela - do Rio de Janeiro.
Comunidade está na moda, né? Sobretudo pelas centenas de milhares de votos eleitoreiros. Ehh... e quem ainda consegue acreditar em bondade política ou empresarial?!

Entre as idas e vindas da trama, as mentiras, as desilusões... a escritora leva o espectador - essa é a intenção - a bons questionamentos.

Estamos em pleno século XXI, a todo vapor em produção, tecnologia, ciência.
Descobrimos a cura de várias doenças, estamos na iminência da descoberta da cura da Aids - pra mim a indústria já descobriu faz tempo, e a ganância por produzir várias remédios ao invés de um só é maior - porém... a aparência, o culto ao que se julga ser "belo", "bom", "de valor" ainda parece destorcido demais.

O grande escritor Uruguaio, Eduardo Galeano, disse que: "Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa, mais do que Deus". 

Numa busca desenfreada por aceitação dos diversos grupos sociais, as pessoas talvez estejam esquecendo ser der ... elas mesmas.

E isso não tem nada a ver com idade, como diriam os antigos. Ou ... tem!

Cada vez mais notamos pessoas maduras, de 40, 50 anos ainda envolvidas no jogo das aparências, tão característico dos adolescentes, com o mundo à descobrir.
Cada vez mais vemos gente sozinha, num desespero pela busca da "alma gêmea", da "cara metade", numa falsa interpretação mitológica de Platão, tornando-se por vezes ridículas num cego egoísmo.

E há ainda aqueles que, num ato de desencargo de consciência, culpa, já se mobilizam pelo próximo.
Mas, com uma série de condicionais, é claro!
Ser humano é mesmo engraçado!

Buscamos o amor!... Mesmo sem refletir no que isso quer dizer.
E ... quem não sabe o que busca... aceita qualquer coisa que encontra.

A menina Aisha, na trama, teve um choque ao descobrir que sua família biológica mora na favela, que são pobres. Em contra partida, a família fica feliz em saber que a filha, a irmã, até então dada como morta, está viva, bem, feliz, saudável.

Ironia, não?! Aquela que "tem de tudo" - será mesmo? - não parece feliz ao ver a realidade, a sua história que tanto procurou. E a família pobre, "aparentemente sem nada", transborda de felicidade ao saber da notícia.

Esses, e tantos outros aspectos, de uma mesmo comportamento ... a fragilidade e imaturidade humana, em procurar nas coisas externas, materiais, a resposta - ou o esconderijo perfeito - da felicidade.

E nesse jogo de gato e rato consigo mesmo, gasta-se fortunas, perde-se grandes oportunidades, limita-se o aprendizado, o conhecimento... tudo em nome do aparente.

Vive-se para o outro! Busca-se a aprovação do outro! Como se o outro fosse mais importante e superior a si mesmo.

Pergunte a um milionário... se ele é 100% feliz. Se a sua vida é plena de satisfação, de alegrias.
Desde que ele não seja um grande mentiroso, ele lhe dirá que não.
Um problema de saúde - física, mental ou espiritual; a constante desconfiança, o medo de ser enganado, ou é a incerteza da administração de tantos bens no futuro... sempre haverá algum motivo.

Agora, pergunte a um "pobre" - eu sempre detestei esse termo, não o acho verdadeiro - se ele é feliz.
E, dentro da sua realidade, das suas dores e dificuldades, na sua problemática, muitos dirão que sim, que o são.

Mas... uai? Não dizem que a felicidade não se compra?!

Uma vez, um escritor renomado e bem sucedido, porém angustiado não sabia com o que, foi buscar uma palavra amiga, de conforto com Chico Xavier, em Uberaba - MG.
Chegando lá, após enfrentar uma baita fila pra conversar com o médium, ele começou a contar:

- Sabe Chico... eu sou um homem de sorte. Trabalho no que eu gosto, tenho muito dinheiro, conquistei sucesso, reconhecimento. Tenho família, amigos que me apoiam. Porém, uma angustia me abate sempre. Um aperto no coração, como se algo faltasse em minha vida. 
E Chico, naquela calma toda...  só ouvia. 
- Eu não sei o que me falta. E me sinto envergonhado por isso, porque sei que tem muita gente que gostaria de levar a vida que eu levo. O que eu faço com essa angustia, essa tristeza, Chico? 
E o grande sabido lhe disse: Sim, você tem razão. É um homem de sorte. E não é à toa que tem isso tudo. Toda vez que você se sentir assim triste, angustiado... levante-se e vá ajudar alguém. Vá até onde há dor, sofrimento. Seja útil. E verá que, a gratidão daqueles a quem ajudou, fará com que essa angustia toda, vá embora. 

Ehhh... pois é! De dar arrepio, não é?
Isso foi contado pelo próprio escritor, em uma palestra.

A Aisha da Glória Perez, recebeu a oportunidade de conviver com a realidade, de entender a história que ela tanto buscou, e de conhecer o mundo como de fato é.
Resta saber se nas cenas dos próximos capítulos, ela aceita ou não esse embate consigo mesma, esse amadurecimento.

E quantos de nós, não somos apresentados à realidade todos os dias, horas, minutos?!
E o que fazemos com isso? Inventamos uma desculpa?
Nos esquivamos, fugimos?
Ou enfrentamos a situação com destreza e coração aberto, puro... pronto para aprender mais sobre ... o humano?!

As vezes, a roupa nova do rei nos deixa nus... de propósito.

( em alusão ao grande conto de fadas, do escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen )

Vaidade, orgulho e aparência... só é bom pra indústria de cosméticos e pra cabeleireiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário