terça-feira, 9 de abril de 2013

Vai pra conta de quem?

Vai pra conta de quem? 



Idoso: pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. 3º idade.
Impostos: Quantia paga obrigatoriamente por pessoas ou instituições ao governo.
Governo: autoridade governante de uma unidade política.

Mas o que esses 3 elementos tem em comum?
Mistura-se um punhado de um, com um pouco do outro e uma dose do terceiro, e ... dá-se o que vemos hoje na tratativa pública à pessoa idosa no nosso país. Descaso, despreparo, desprezo.

Todos nós percebemos que a população mundial está envelhecendo. Tanto no velho continente, quanto no novo, a sociedade se reinventa em termos urbanos, pra acomodar a evolução etária do ser humano.

E assim como a população cresce... quem banca ( ou deveria ) com tudo isso também cobra a mais...

Desde que nos entendemos por gente, recolhemos tributos, impostos. O bebezinho, na maternidade, desconhece que, ao nascer, já tem uma dívida com o governo.

Mas o que nos difere dos demais países, é que nosso "produto imposto tupiniquim" vem em cascata - até nisso somos metidos.
O produtor, o agricultor, lá na ponta da cadeira produtiva, recolhe imposto. O fabricante, ao receber a mercadoria também recolhe imposto. O logista, antes de vender a mesma mercadoria, também recolhe imposto. E nós, é claro... pagamos por tudo isso. Com mais impostos embutidos nos preços.

Ok, a União não gera riqueza - assim dizia um professor de direito constitucional que tive na faculdade.
O governo não produz ( e nem pode ) nada. Sendo assim, desde que há civilização na face da terra, o governo cobra dos cidadãos ( cada dia eu me sinto menos cidadã por isso ), por meio de impostos, recursos pra assegurar as condições básicas de sobrevivência em sociedade.

E é aí... justamente aí... que entra a minha, e de centenas de milhares de pessoas, grande indignação ( agora eu me recordo das discussões homéricas na faculdade com os professores de economia e direito... não sei como eles gostavam de mim. rs )

Se nós recolhemos tantos impostos assim, porque nós ainda temos que pagar um plano de saúde para ter o mínimo de atendimento quando ficamos doentes?
Ou uma mensalidade caríssima de colégio, para que as crianças tenham bons referenciais educativos?
Ou pedágios caros nas estradas, para termos minimamente condições de ir e vir sem acidentes decorrentes de má conservação das rodovias?
Assim como IPVA e taxas de inspeção veicular, ambiental e todas as variações grotescas inventadas por um governo ruim de conta... ?! E o IPTU? E o IR? E o ISS? E o ICMS?
São tantos os tributos e maiores ainda os motivos que ... gastaríamos vários posts pra descrevê-los e só ficaríamos mais irritados com isso.  

Pra mim, hoje, uma resposta define o caos do país em que vivemos. Malversação do dinheiro público!

Numa grande e colorida colcha de retalhos de nossa constituição, temos buracos negros - já deixou de ser brecha faz tempo - que possibilitam magistrados, políticos em geral, receberem salários e benefícios que deixariam presidentes de multinacionais vermelhos de inveja ( ou de raiva! ).

Um código penal mais velho que muitos de nossos pais - verdade, meu pai nasceu no início do século passado, e é um contemporâneo do código penal brasileiro - que permite tantas aberrações de advogados inescrupulosos ( ah, mas esse é o trabalho deles, né? ) defendendo gente que ... nem Cristo absolveria.

Dias atrás, um filósofo do Rio de Janeiro disse em uma entrevista a um jornal paulista que:

"... não temos um pacto social. Não existe um discurso de construção. O que existe e é aceito são interesses individuais ou de pequenos grupos mesquinhos, mas não uma disposição de pensar no coletivo. A ideia do "cada um puxa a sardinha para o seu lado", esta legitimada socialmente no Brasil..." 

Claro que a discussão é muito mais profunda. Tem raízes históricas, culturais, que eu não teria informação nem capacidade para puxar esse fio de raciocínio.

Mas, como cidadã eu tenho condições de pôr a minha boca no trombone e dizer... EU NÃO CONCORDO!
De dizer que estou de saco cheio de ser esfolada todos os dias, horas e minutos por um governo que não sabe o que fazer com meu dinheiro, que não me dá ( nem a mim, nem aos meus ) o mínimo de condições de sobrevivência com dignidade....Só se eu pagar por isso!

Há quem me diga... "ah, Celinha... mas o que é que nós podemos fazer?"

Muita coisa, meu caro. Pra começar... nós votamos. Nós escolhemos as pessoas que nos representam no Congresso Nacional. Presidente da República é  de menos. O cara não faz nada sozinho.
E, mesmo com as jogadas eleitoreiras partidárias, os suplentes e afins... se votássemos direito, teríamos menos problemas.

Nós pagamos! E muuuuito caro, com o imposto do pãozinho, do ingresso do cinema, do tomate... para 513 deputados federais elaborarem as leis que deveriam melhorar a minha, a sua vida.
Nós também pagamos os 81 senadores, para ... veja a ironia... julgar e processar um presidente da república, um ministro. Pra fiscalizar se as contas estão fechando, quem tá gastando mais ou menos ( um trabalho em conjunto com a corregedoria e os tribunais de contas, além do STF, até onde eu sei ).
Nós pagamos ... os deputados estaduais e os vereadores, para, em instância local, fazerem a mesma coisa.
E nós pagamos... as centenas de milhares de funcionários públicos, polícia federal... para administrarem tudo isso e ... nos protegerem. Ehh... essa parte melhor pular...não sabemos mais quem é bandido e quem é mocinho.

É gente pra caramba pra pagar, né? ... Haja folha de pagamento!
E como toda boa empresa que se prese, é preciso ... avaliar seus funcionários. E nós... fazemos isso?

Ainda dentro desse capítulo "ah, mas o que nós podemos fazer? "... vem eles, os vilões dessa história toda...

O Brasil possui hoje aproximadamente 85 impostos ( isso se, até o momento da publicação desse post não inventaram mais algum ), e apesar de iniciativas isoladas e até que razoáveis como o Impostômetro - aparelho que mede a quantidade de dinheiro que entra por segundo no cofrinho do governo federal, ou essa ideia de descriminar nas notas fiscais todos os impostos que incidem nos produtos comprados... ainda assim, pelo montante arrecadado e pelo baixo retorno que temos de tudo isso... é pouco!

Mas ... num sonho de juventude... ver as pessoas mais conscientes do que compram, porque compram... e pra que dar mais dinheiro em impostos para o governo... já seria um alento.

É claro... claro que esse texto tem um viés pessoal.
Meu pai trabalhou uma vida inteira. Recolheu todos os impostos e taxas que o governo lhe exigiu... e ao final da vida... esse mesmo governo... diz a ele e mim, ao buscar um atendimento médico hospitalar de qualidade para um terceiro que ... "não tem o que fazer".

E aí? pra quem é que a gente pede ressarcimento por tanto imposto recolhido durante tantos anos?!

Ser consciente do que se paga, porque se paga e ... se tem necessidade de se pagar tanto, já é um começo.

Ler jornais, conversar sobre política, economia, como vai o seu bairro, a sua cidade, o que estão melhorando, o que está pior do que estava... tudo isso faz parte do nosso processo de ... civilidade.
Não só se queixar, mas também fazer parte do trabalho que os políticos não fazem, ser voluntário em alguma ong, instituição... é importante. É humano!

O governo ainda não nos cobra por isso. Aproveitemos. Antes que nós fiquemos... velhos!













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