A febre não é culpa do termômetro!
Pensando justamente em qual seria o tema do próximo post, eis que aconteceu o ataque com as bombas na corrida em Boston - US, esta semana.
Um atentado, duas bombas caseiras, uma corrida pela cidade, e a morte de 3 pessoas, sendo uma criança de apenas 8 anos, e dezenas de feridos. Um ataque terrorista, de suspeitos garotos extremistas, já identificados pela política americana.
Acho que após o triste e fatídico 11 de setembro - as torres gêmeas em NYC - talvez esse tenha sido o momento mais marcante que os americanos viveram recentemente.
E o clima de insegurança, medo e ... raiva... voltou no ar.
Enquanto especialistas, polícia, políticos, jornalistas do mundo todo desvendam esse atentado, eu prefiro refletir sobre um outro ponto de vista.
Tolerância: Disposição de admitir nos outros, modos de pensar, de agir e de sentir diferentes dos nossos.
Violência: Qualidade ou caráter de violento. Tirania, opressão. Constrangimento físico ou moral a alguém.
Desde que o mundo é mundo, existe guerras, desavenças entre povos. Crenças religiosas, políticas, e sobretudo interesses econômicos são o estímulo para a intolerância e a violência.
A mais recente guerra do Afeganistão, provocou a perda de grande contingente de soldados americanos em batalha. Jovens, treinados para o combate, para matar o "inimigo".
E, guardadas as proporções ( cultura, religião, política ), do lado de lá da fronteira, o pensamento era semelhante. A necessidade de eliminar o tal "inimigo" que feria, matava e oprimia sem parar.
Nesse jogo tenso de fogo cruzado, onde nenhum dos lados cede, o que mais me choca - e me motiva a escrever essas linhas - é a nossa reação quando um suposto "terrorista" é capturado.
Aplausos, comoção, gritos revoltosos de "justiça" ecoados por toda a parte.
Ok. Sendo cidadãos de bem que somos, queremos mesmo ter a proteção e a justiça a nosso favor.
Porém... que justiça será essa?! Capturar, prender, expor mundialmente uma criatura como um monstro, será suficiente pra acabar com a violência?! Pra inibir a criminalidade?
Sempre foi feito isso, e ainda somos obrigados a conviver temerosos uns com os outros.
Ficamos felizes, vingados, aliviados quando um terrorista é preso?! E porque ainda existe terroristas no mundo?! E isso será determinante para que não haja mais ataques?
Eu me recordo, tempos atrás quando trabalhava em Israel e no Egito, em minhas conversas com os locais, sempre os questionava: "Mas quando esses conflitos vão acabar? Porque ensinar as crianças que o outro é o inimigo?". E eu sempre ouvia a mesma resposta: "Isso nunca vai acabar".
Ehhh... ter a liberdade de ir e vir cerceada pelo Estado, pela religião, não é fácil.
Ver pessoas sendo mortas, estupradas, humilhadas, por soldados "preparados para a guerra" não é fácil.
Perceber que o mundo todo evolui em tecnologia, acessibilidade, direitos humanos, e o próprio entorno permanece no passado, não é fácil.
Mas ... porque é fácil julgar o outro, se não se passa pelo que passam? Se não sofre o que eles sofrem?
Obviamente que um erro não justifica o outro!
O intrigante é: será que somente humilhar e expor mundialmente garotos de 19, 20 anos - criminosos que terão de responder pelos seus atos - não é também, realimentar uma ideia da guerra?!
Eu não tenho essa resposta. E não é minha intenção aqui fazer apologia, tampouco tomar partido. Sou solidária a dor das famílias, das vítimas e também quero que a "justiça seja feita".
Mas me questiono, me incomodo, sobre qual justiça e quão eficiente ela é.
E acho que a discussão deve ser mais profunda, fundamental e cabe a cada um de nós também.
Repensar como tratamos as pessoas, suas escolhas, seus pontos de vista. Somos tolerantes com as diferenças, com crenças distintas das nossas?
Se alguém não concorda conosco, com nossos pontos de vista, o que fazemos?
Que menos civis percam vidas, seja por bombas, seja por tiros na cabeça dados por garotos sem maioridade penal, que já perderam qualquer referencial do que é ser bom, do bem, há muito tempo.
Nós já evoluímos a passos largos em tecnologia e ciência. Talvez, o que nos falte seja justamente ... tratarmos a causa dessa febre social mundial.
E não basta tratar os seus sintomas. Nem colocar a culpa... no termômetro.
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