Paz sem voz, não é paz, é medo!
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| Morador do morro Santa Marta, no Rio de Janeiro |
Preconceito: Ideia ou conceito formado antecipadamente, sem fundamento sério ou imparcial.
Internet: rede de conglomerado de comunicação com milhões de computadores interligados pelo protocolo TCP/IP, que permite acesso e compartilhamento de informação.
Favela: termo usado para descrever regiões urbanas de baixa qualidade de vida, com construções desformes, carência de saneamento básico e condições inadequadas de limpeza.
Mas o que esses 3 conceitos tem a ver entre si ?! ... Eles estão interligados, conectados.
Nesta semana, o jornal Folha de São Paulo publicou a reportagem "Morador de favela está super conectado", que traz dados da pesquisa realizada por grupo de estudiosos, em cinco comunidades pacificadas do Rio de Janeiro. A experiência vai se tornar um livro, a ser lançado no próximo dia 22.
De cada 10 jovens, com menos de 30 anos, 9 estão conectados à internet nas comunidades, e a maior preferência é pelas redes sociais.
Esses dados - para os esperançosos como eu, de viver numa sociedade mais justa e igualitária - são um alento.
Mas para aqueles que ainda alimentam a crença de que comunidade só é lugar de marginal, é um motivo a mais para torcer o nariz e virar o rosto pra realidade que se apresenta. E que é irreversível!
Inclusão digital é tema recorrente nos últimos anos, e graças a facilidade de crédito, a queda nos preços dos computadores e o interesse de operadoras de telefonia nessas regiões, muitas pessoas hoje, tem o seu notebook ou smartphone, (ou vão até as lan houses espalhadas por entre as casas - algumas com "gatos" ainda ), com acesso a internet e estão completamente conectadas, antenadas com o mundo, aprendendo e contribuindo para a sociedade onde estão inseridas e para os demais.
Antigos conhecidos de políticos em época de eleição, moradores de favela hoje em dia são formadores de opinião, expõe suas ideias, se organizam e se colocam. Fazem um baita barulho!
Cada dia que passa, os avessos a ideia ( muitos dentro de seus carros blindados, com empregos garantidos, cheios de empregados que são... moradores de comunidades! ), que viram a rosto quando passam próximos a uma favela porque não querem ver "coisa feia", ou por medo, tem de admitir que a sociedade está mudando, está mais inclusiva, e que o vídeo que o "garoto pobre" posta no youtube, minutos depois é visto por um menino da mesma idade, na cobertura da "zona sul".
Eu faço trabalho voluntário há alguns anos com crianças de comunidade, e quando vejo alguém criticar ou ignorar essa realidade, me questiono se é por excesso de egoísmo, por ignorância ou insegurança mesmo. Ainda não cheguei num consenso.
Parece incrível, mas ainda tem gente que pensa que em comunidade há somente pessoas de má índole.
Como se falta de caráter tivesse endereço fixo ou site na internet. Ser ou não bem intencionado é inerente à condição humana, não ao saldo na conta bancária!
Mau caráter tem em todo lugar! Tanto no chão da favela quanto no piso de mármore carrara dos grandes apartamentos de luxo, ou nas maiores casas políticas do nosso país.
O local onde a pessoa mora não deve ser fator determinante pra avaliar o caráter, o conhecimento, as intenções de ninguém. Tampouco o que deve ou não ter.
Muitos poetas, sambistas, artistas, escritores, jogadores de futebol saíram de uma comunidade. E se pensarmos assim... os jovens internáuticos de hoje... poderão render uma nova safra melhor que os anteriores.
Circular pelas ruas de uma favela é também encontrar histórias de pessoas de bem, trabalhadores, mães de família, que por ganharem pouco ( olha aí "patrões" ) são obrigadas a morar em locais com baixa estrutura.
Gente que corre pra acudir um vizinho, que faz vaquinha pra pagar o aluguel de alguém que perdeu o emprego, que se organiza pra limpeza das ruas e evita que os maus elementos desvirtuem os menores.
Talvez estejamos na iminência de uma nova sociedade, uma era de mais compartilhamento, de gente mais solidária, humana.
Mas depende de cada um de nós.
Enquanto no mundo houver a estupidez do preconceito ( de raça, de crença, de condição econômica, de opção sexual ), perderemos a chance de aprender mais, de progredir com o outro.
Pode ser mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito ( Einsten dizia ), mas enquanto isso... os jovens moradores da favela vão se construindo, com acesso a cultura, a informação, ao conhecimento. Estão ganhando o mundo! ... Que bom! :-)
bjs moçada!
Reportagem no Jornal Folha de São Paulo.
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1231878-morador-de-favela-esta-super-ligado-a-internet-diz-pesquisa.shtml

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