quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Velório lotado!

Velório lotado! 


"Aprendi que a coragem não é a ausência do medo. Mas o triunfo sobre ele." Nelson Mandela


6 de dezembro de 2013.
E Mandela se foi, com seus 95 anos bem vividos e muita história pra contar.

Hoje o mundo inteiro fez uma pausa nesse frenético vai e vem das vidas humanas, pra pensar... Mandela morreu! ... E agora? ... O que faremos?

Você já reparou como o comportamento humano é estranho, desconexo... egoísta?!

Ao longo do século XX,  penso que todos nós tivemos o privilégio de conviver com gente talentosa de verdade ( hoje qualquer pé de chinelo é chamado de talentoso ), aguerridos, de caráter forte ( está cada dia mais difícil encontrar isso por aqui! )... que de certa forma, nos traziam uma sensação de proteção. Como que pais, protegendo seus filhos, evitando que qualquer mal os aconteça.
Até que cresçam, e andem por suas próprias pernas!

Todos nós usufruímos de invenções simples, que facilitam a vida, o dia a dia, e que ... passam desapercebidos.
Vivemos num mundo livre, com liberdade de pensamento, de expressão.
E .. quantos lutaram pra isso? Quantos morreram por ideais? ... Muita gente!

Quantos de vocês, que fazem a barba todos os dias, já pararam pra pensar... "quem foi o sujeito que teve essa ideia genial?" - nessa eu sou suspeita pois trago um baita orgulho por ter trabalhado durante anos na empresa do King Gillette, que me ensinou o que é inovação, atitude, ética. Onde construí as melhores amizades da minha vida!

Deveria haver um decreto, de parágrafo único: FICA DECRETADO QUE TODO GRANDE HOMEM NÃO PODE MORRER.

Seria bom, né?
... Seria?

O tempo, senhor dos destinos, é implacável pra todo mundo!
Tanto o ignorante quanto o inteligente; o rico e o pobre; o honesto e o pilantra; o aguerrido e o preguiçoso.
Um dia... a máquina humana pifa! ... São Pedro chama "lá pra cima", vai para a prestação de contas. Quem foi no azul, entra no céu. Quem está com o saldo devedor... voooolta pra expirar. ... Ou não!

Mas... quando eles partem... incrivelmente nos achamos ... órfãos.
Porque será?!

Eu penso que, nesse egoísmo humano que determina cada dia mais o que é "meu" e ninguém põe a mão ( meu filho, minha esposa, meu pai, minha casa, meu carro, meu emprego... ), nos tornamos impermeáveis a qualquer sentimento de liberdade.
Temos medo de sermos livres. Tudo nos pertence, para nosso conforto e deleite. Inclusive os ídolos, os mártires, nossas inspirações ( mesmo que só nas capas dos livros ).

"... mas espera aí... como é que ele ousou morrer... sem nem me consultar antes?!"

Pra mim, há dois elementos que definem - e diferem - os bons dos fantásticos. Humildade e generosidade!

Penso que ... pra se construir algo que seja significativo na vida de outras pessoas - e dar algum sentido à própria vida - há de se ter humildade, se apagar para que o outro expresse o que pensa e contribua para a ideia final.
Humildade para aceitar que nunca teremos 100% de certeza se o que faremos dará certo ou não - só os estúpidos é que as tem.
Para se colocar no lugar do outro, calçar os seus sapatos e perceber de fato, o sofrimento. Incomodar-se com isso. Mexer-se pra modificar isso.
É aí que entra a generosidade. Sair do nosso mundo, da nossa zona de conforto... e modificar pra melhor a vida de outras pessoas.
E isso não é fácil. Não foi fácil nem para o Mandela!

Repare!
Eu aposto que todos aqueles que são os seus ídolos, sua inspiração... apresentaram um que dessas qualidades enquanto viveram por aqui.

Mas, será então que essas tais qualidades estão extintas nos dias de hoje? Por isso que nos sentimos... órfãos?
Será que enterramos essas qualidades junto desses grandes homens do século passado?!
Como se elas fossem de propriedade exclusiva deles?!

Falar de Mandela - do seu sofrimento e toda a luta pela liberdade e igualdade de um povo - é lugar comum, sobretudo num dia como hoje, quando o mundo ficou mudo diante dessa "perda".

Ainda que a mente dele fosse livre - aquele que pratica o bem e a paz, sente-se livre sempre! - certamente o corpo, essa máquina humana... já falhava, sofria com as agressões do tempo.
Não há pulmão, coração, rins que suportem 27 anos de prisão, mais tantos anos de poder, de lutas e vitórias.
Nós não somos Deus, nem inventamos uma máquina perfeita, imune as agressões desse tempo.

Mas... se o Mandela - assim como Cristo, Madre Tereza, Gandhi, e tantos outros - não eram Et's, mas humanos... então porque eles foram tão extraordinários?! Porque  nós "não os deixamos ir"?

Hoje o velório do Mandela está lotado! O mundo todo está falando muito bem dele!

Isso me fez lembrar, num livro que eu li muito tempo atrás - desses que americano escreve  e que vende mais que pipoca em porta de cinema - uma pergunta que levo para o resto da minha vida:

" O que você gostaria que dissessem sobre você no dia do seu velório?"
- e aqui não vale a piada do "olha, ele está mexendo".

O Aparthaid acabou, graças a Deus e a coragem do Mandela!

Mas a pobreza no mundo ainda existe. A fome, a miséria, a falta de emprego, de dignidade. A desigualdade!
Em pleno século XXI, ainda vemos crianças sofrendo com trabalho escravo, gente que acaba indo morar nas ruas por falta de apoio familiar, de amigos, de dinheiro.
Hoje convivemos com uma bomba mais devastadora que a atômica... as drogas.

E a raiz disso tudo não estará ... no nosso próprio egoísmo?!

Eu duvido que no bairro onde você mora, na sua cidade, no seu país... não haja algum problema pra ser resolvido também. Alguma coisa que impacte na sociedade da qual você faz parte.

E o que você faz?
O que dá sentido à sua vida? ... Isso também te incomoda, como Mandela se incomodou?

Será que o nosso velório estará lotado também?

Uma salva de palmas, Mandiba! ... Arrebentou por aqui! ... A nós cabe... o exemplo!

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