Sociedade
"Quando todo mundo quer saber, é porque ninguém tem nada com isso". Millôr Fernandes.
Tratando-se de internet, do fenômeno das redes sociais - pra mim, todas com os dias contados porque não acrescentam nada de útil na vida das pessoas! - essa máxima do Millôr fica mais evidente ainda.
Eu nunca entendi o limite do que as pessoas publicam na internet. Textos, fotos, vídeos. A pergunta é: há limite? ... ou a internet é território livre, terra de ninguém, onde tudo é permitido?!
Vivemos num país democrático, com 200 milhões de habitantes, e ainda que mais da metade permaneça numa linha considerada pobreza em países de primeiro mundo... hoje o Brasil também vive a grande epidemia dos smartphones e da internet.
Assim como na Índia - que tem mais celulares do que computadores, por aqui o sujeito não tem nem sofá na sala de casa... não tem o que comer na geladeira... mas, tem um celular na mão, de preferencia o modelo mais modernoso que houver ... afinal, é preciso se comunicar com seus "amigos virtuais". Amigos?! É preciso?! ... pra que?!
Experimente morrer, e fique como alma penada vagando só pra ver quantos dos seus amigos virtuais iriam no seu enterro, ou ajudariam a pagar por ele. Aproveite e atazane a vida de quem falar mal de você no seu velório. Afinal... você já estará morto mesmo!
Não consigo entender como as pessoas veneram essas tranqueiras que me obrigam a ficar com a mão ocupada, de cabeça baixa, com uma luz na minha cara... por vezes fazendo malabarismos com os braços feito uma tonta porque o sinal na pega no local.
E ainda virou objeto de desejo de bandidos, marginais! ... Vai entender!
A discussão dos limites da internet é antiga, e já deu muito pano pra manga em todo o mundo.
Tem muito sociólogo, antropólogo, gente entendida do assunto... que não se entende sobre o tema.
Minha pretensão aqui não é discutir esses limites. Não gosto do assunto e nem tenho informações suficientes pra isso.
Recentemente, com a aprovação do Marco Civil da internet, alguns crimes até então sem condenação, passaram a ser judicialmente válidos, passíveis de punição. Crimes contra a honra, a moral, por exemplo.
Resta saber... quem é que vai fiscalizar isso.
Ou... será preciso que casos como o da mulher linchada até a morte esta semana, no Guarujá - litoral de São Paulo - por ter sido confundida - isso mesmo, confundida! - com uma sequestradora de crianças ocorra, vire pão quente na mão de jornalistas sensacionalistas, pra que haja investigação?
Esse boato surgiu na internet, por meio de uma rede social.
Trinta e um anos, mãe, esposa, sem antecedentes criminais, e nenhum indício que comprove ligação com as acusações recebidas... confundiram a coitada! Espancaram e mataram ela na rua!
Dá pra imaginar o nível da barbaridade?!
O mais assustador é que parece que está virando moda. A tal justiça com as próprias mãos.
Mas ... que justiça é essa?
O povo... irritado com as décadas de serviços públicos ruins, cheios de andar com medo pelas ruas, de sofrer assaltos, sequestros... resolveu se mobilizar frente a impunidade e ... dar sua própria punição.
Com quais ferramentas?! ... as que tiver nas mãos. Panelas, cordas... armas de fogo...computadores, tapas, pontapés, chutes... publicações sociais... e por aí vai.
Agora a polícia corre atrás daqueles que fizeram essa crueldade. Será que vão pegar todos?!
E como fica a família dessa mulher? O que será que vão pensar seus filhos quando crescerem mais um pouco? Que tipo de relação haverá entre eles e a sociedade que os cerca?
São muitas perguntas sem resposta.
O que fica claro nesse caso, como em centenas que ocorrem todo dia no país - quem se lembra do caso do advogado ridicularizado por uma professora imbecil no Aeroporto no Rio, pela roupa que vestia meses atrás? - é o nível de maldade, de maledicência, julgamentos precipitados, a intolerância frente ao que é diferente...
Perderam o senso do ético, do moral, do respeito ao direito do outro. Sequer sabe-se o que isso significa.
O discernimento do que é razoável e do que é fantasioso... não existe, nessa vontade desenfreada de mostrar o que se tem, o que se comeu, onde foi... tudo o que não mudará a vida de ninguém - e que corrobora minha tese de que ... as redes sociais vão acabar.
Relevância é a palavra!
Com todo o respeito, mas... o que é que me interessa a roupa que você usou, meu amigo?
Ou o restaurante que você visitou e a comida que você comeu?
Ou o carro que você comprou, a casa que você alugou... a viagem que você fez?
Será esse mesmo o objeto das redes sociais?
Virar uma vitrine virtual, uma espetacularização da vida humana?! ... pra que?? no que isso modifica a vida das pessoas?
Na boa, com todo o respeito... tá sem assunto??? vá ler jornal!
Apure seu senso crítico pra ser menos enganado por bondades de prefeitos, governadores, deputados, senadores... de gente muito bem paga por você, através dos seus impostos.
Tem coisa mais relevante do que o teu almoço com a galera, ou se você gosta ou deixa de gostar de alguém, ne?!
Tá carente... vá fazer terapia, poh!
Levante da cadeira e vá ajudar gente que de fato precisa, que de fato tem problemas na vida, que não tem família, nem amigos, nem emprego, nem dinheiro, nem saúde... como a moça que foi cruelmente morta.
Pronto... desabafei! E sem rede social. Voltemos ao ponto do texto...
Assim como na vida real, a fictícia internet se tornou terra de ostentação. Ostenta-se dinheiro, poder, conhecimento, a suposta razão sobre tudo.
Intolerância com os que pensam diferente?! ... isso é dinheiro na Russia.
Aliás .... Russia, Crimeia, Nigéria, Petrobras, Mensalão, ações econômicas... isso é material raro nas redes sociais, subutilizadas com assuntos triviais, sem a menor relevancia social.
Ironia... É rede, e É social.
Nessa terra de ninguém chamada internet, onde as ferramentas são usadas para potencializar hábitos horrorosos que o ser humano carrega desde milênios, a maldade do falatório, da fofoca, da intriga. prevalecem. E agora são letais.... Matam na carne!
O que te contam, o que publicam na sua timeline... tem como provar? É bom? Vai mudar alguma coisa? Então...
Nem ouça!
Nem leia!
Nem compartilhe!
A moça do Guarujá não foi, nem será a única a sofrer com a intolerância explicita nas redes sociais. Mas que levante a bandeira do discernimento, da relevância de informações publicadas e ... do respeito ao próximo que merece ser resgatado. Urgente!
A minha terra não é virtual. E ela tem nome!
Chama-se Brasil, um país que merece mais do que isso!

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