sexta-feira, 24 de abril de 2015

Abre esse olho, marujo!

Economia




Mare Nostrun - Nosso Mar.
Era assim que os romanos chamavam o Mar Mediterrâneo no tempos antigos.
O mar continua lá... porém, ele não parece mais ser ... de todos! E ... que todos são esses?!

Não foi o calor das águas - por conta do deserto do Saara - que atraiu os 900 imigrantes da Líbia, para a travessia do Mar Mediterrâneo no último final de semana, num pesqueiro sem nenhuma condição de transporte humano, bem diferente dos grandes transatlânticos luxuosos que passam pela região.
Também não foi a possibilidade de fazer turismo num dos 18 países que recebem a água desse mar "nostro" que motivou aqueles africanos. 

Foi o desespero mesmo!

O mundo todo ficou estarrecido com o naufrágio de 900 pessoas que saíram da Líbia - país que está numa instabilidade endêmica, cheio de terroristas do Estado Islâmico - para tentar alguma sobrevivência na Europa, usando como porta de entrada a Itália, de maneira ilegal.

O maior naufrágio da história, com números assustadores.
Foram 800 mortos - que estão desaparecidos no fundo do mar, e outros 24 que já foram enterrados como indigentes em Malta; e apenas 28 sobreviventes!

De tudo o que foi dito pelos entendidos do assunto ( será que entendem mesmo? ) neste semana, algo me chamou a atenção:

"Enquanto houver guerras em países vizinhos, as pessoas continuarão a procurar um lugar seguro na Europa. ... sem um enfoque europeu comum apoiado na solidariedade, que dê às pessoas a oportunidade de vir legalmente para a Europa, a próxima tragédia é só questão de tempo".

Quem disse essa frase ao Presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz foi um membro da Comissão Europeia, essa semana, logo após o bloco ter anunciado que irá triplicar o montante destinado ao controle das embarcações ilegais que passam pelo Mediterrâneo.
Leia-se por controle... mais polícia e o não salvamento desses barcos em caso de naufrágio!

Como se os imigrantes tão indesejados fossem desistir de tentar chegar à Europa, apenas por saberem que não haveria quem os salvasse em caso de naufrágio.

E será que o desespero deles não supera qualquer risco à vida?
E ... porque essas pessoas estão desesperadas desse jeito? Será que essa é a melhor estratégia da Itália e da Europa? Fiscalizar e impedir que todo africano ilegal... não entre no continente. Nem mesmo afogando no mar? São seres humanos ou ... o que?

São muitas perguntas, não é?
O que denota que o tema não é tão simples assim... não será com 9 milhões de euros por mês que eles vão resolver a questão.

Como essas pessoas tão pobres conseguem fazer essa viagem então?
Abandonam tudo, entram só com a roupa do corpo nesses barcos precários ... na esperança de encontrar receptividade, respeito e oportunidades.

Quem os leva?
Coiotes!
Pessoas que recebem mais de mil euros de cada um dos imigrantes ilegais, os amontoa nesses barcos pesqueiros e os atira ao mar... numa viagem suicida.

O triste é que o desespero de viver num país sem condições... os leva a ignorar todos os riscos da travessia. Até a morte!

Tráfico de pessoas!
Trabalho escravo!
Piratas ... coisa do século retrasado? ... que nada!

Nem precisa rever o filme do Jack Sparrow pra entender. Nem reler aqueles contos tão bacanas de piratas do século 16 e 17.

Nos dias atuais tudo isso é uma realidade do lado de lá do Oceano Atlântico. 

Conflitos, Estados falidos e epidemias ainda representam importantes ameaças na África. E o crime, a exploração da miséria ... se aproveita disso, claro! 

Pra falar só de pirataria... na Somália, no Chifre da África... essa atividade coletou mais de 400 milhões de dólares em resgates, entre 2005 e 2012.
Dinheiro esse que realimenta todo o esquema do crime, o tráfico de armas e pessoas, e só dá lucro.. para os grandes "investidores" que estão bem distantes do mar.
O mais contraditório é que os sequestradores de mercadorias e pessoas ... continuam pobres, miseráveis!

A pirataria gera um custo de aproximadamente 15 milhões de dólares por ano pra economia mundial, tanto pelo aumento nos custos com transporte, como o impacto negativo da atividade marítima, da pesca e do turismo... nos países afetados.

Todo o mundo acaba sofrendo com isso!
E por isso... dá pra virar a cara pra essa realidade?

Nós nunca vamos saber a real motivação de cada uma daquelas 800 pessoas que estão no fundo do mar. Se eram piratas, escravos ou apenas esperançosos e desesperados por algum futuro em outro continente, longe da miséria e da guerra.

Mas que a causa dessas centenas de milhares de pessoas que ariscam a própria vida desse jeito precisa ser enfrentada com maior rigor... tá na cara, né?

As economias avançadas, a começar pela própria União Europeia precisam investir tanto em termos políticos quanto econômicos... no crescimento, desenvolvimento e estabilidade desse continente.
Olhar além das próprias fronteiras! Baixar a crista! Relembrar todo o sofrimento que passaram no pós guerra, talvez.

Porque não estabelecer acordos bilaterais, desses de imposto zero, instalando fábricas nos países com menos conflitos, investindo em parcerias para a educação - e num futuro ter o reflexo na saúde pública?
Quem é que não gostaria de vender para um mercado tão populoso quanto a África? Se hoje eles não tem o poder de compra pra isso... que os estimule, caramba!
Que se invista nesses países... pra daqui há 20, 30 anos... podermos ver um outro continente. Mais próspero!

Será que a Europa, o mundo... pode virar o rosto para o futuro da África que, se pensarmos bem... representa em último recurso, o nosso futuro?!

Abre o olho, marujo! Abre o olho... mundo!


"- Porque você faz isso? É tão jovem, poderia ter um futuro bonito pela frente. - diz o personagem do Capitão no filme Capitão Philips, que é sequestrado por piratas na Somália.
- No seu país pode ser assim, ter futuro. Aqui ... aqui não! - responde Muse, o sequestrador miserável."


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