terça-feira, 16 de junho de 2015

Comprometendo gerações

Economia



Estamos a dois dias do fim do prazo para a sanção da Dilma, sobre as mudanças no cálculo da aposentadoria e o fim do fator previdenciário.
E parece haver mais dúvidas do que alternativas para a questão!

De um lado estão as forças sindicais e os trabalhadores pedindo o fim do redutor do cálculo, que compromete o valor integral da aposentadoria.
Na outra ponta... está o governo, contando moedinhas e tentando encontrar alternativas para a Previdência Social, que já carrega um rombo de mais de 66 bilhões de reais. E só cresce!

O Congresso Nacional aprovou a mudança do cálculo do fator previdenciário, tema que já foi abordado neste blog ( leia aqui ), para a chamada fórmula 85/95, na qual o trabalhador se aposenta com valores integrais se a soma da idade e do tempo de contribuição for de 85 para mulheres e 95 para os homens. Muita gente ... conseguirá se aposentar mais "cedo" com isso.
Se o trabalhador decidir se aposentar antes, a emenda estabelece que a aposentadoria continua sendo reduzida por meio do fator previdenciário.
Hoje em dia, esse tal fator que tanto se ouve falar, reduz o valor do benefício de quem se aposenta por tempo de contribuição antes de atingir 65 anos ( homens ) e 60 anos ( mulheres ). E é isso que as forças sindicais não querem.

O Ministro da Previdência Carlos Gabas já se posicionou e disse que não dá. Alterar o fator previdenciário vigente hoje... inviabiliza toda a previdência.
Para ele, seguindo a lógica... até 2018 poderia haver uma economia de 12 bilhões. Mas... projetando esses gastos para 2030 ... haveria um aumento de 135 bilhões nas contas do INSS.
E pela lei de responsabilidade fiscal, todos os órgãos devem fazer projeções até 2060... quando, segundo ele - você está sentado?! - o aumento seria de mais de 3 trilhões de reais!!!
Alto risco, não?

Ora... a conta é simples, caro leitor.
A expectativa de vida do brasileiro aumentou 13 anos, de 1980 para cá. Estamos vivendo mais! Por conta do saneamento básico, da erradicação de doenças graves, alimentação, etc.

A pessoa que se aposenta com 50 e poucos anos... de acordo com essa expectativa de vida mais elevada, viverá muito mais, ou seja, irá receber da Previdência Social por muitos anos.
Só que ... a Previdência está "quebrada".

Eh... pois é!

Quem trabalha hoje ( e recolhe seus tributos ) está sustentando aqueles que já recebem a aposentadoria. E as crianças de hoje ( nossos filhos, netos )  ... serão as que vão sustentar a nossa aposentadoria daqui há 20, 30 anos.

Agora... pensemos juntos.
Se o mercado de trabalho está cada vez mais nivelado por baixo, os cargos estão cada dia mais operacionais e por conseguinte, com baixa remuneração... quantos trabalhadores que ganham 1 mil e poucos reais serão necessários para pagar a sua aposentadoria daqui há uns anos?!
E como irão recolher o INSS se a informalidade aumenta por conta da queda da economia e o aumento do desemprego?

Percebe que o problema é espinhoso? Difícil de resolver?

Na contramão da maioria dos países do mundo - que postergam ao máximo a idade para se aposentar - o Brasil "facilitou" essa questão com essa nova proposta, uma vez que permitirá que pessoas mais novas se aposentem com valores integrais. Pessoas que viverão por muitos anos!

Previdência Social sempre foi tema polêmico, e o fator previdenciário foi a única alternativa encontrada para minimizar o rombo do INSS.

A questão também é cultural. Brasileiro tem mania de achar que aposentadoria é "presente" do governo, é direito. Quando a bem da verdade, aposentadoria é poupança! Quanto mais se poupa ao longo da vida ... mais de tem ao final dela.

Este blog não defende, tampouco condena o fim do fator previdenciário. Nosso papel é provocar reflexão e gerar debates, interesse por essas questões que afetam diretamente a nossa vida.

Caberá a Dilma refletir e decidir até amanhã se ... veta essas alterações e joga pra frente esse abacaxi ( mais uma vez! Governo nenhum quer mexer nesse problema ); ou se aprova a alteração da lei e ... compromete ... nossas futuras gerações.

E aí, presida... o que vai ser?!

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