quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Namoro só com São Tomé

Economia 




Que rufem os tambores... a campanha eleitoral já começou! Na TV o show começa só dia 19.
Neste ano, com direito a inserções na mídia online, sem as devidas comprovações de gastos dos partidos... tudo mais fácil. Fácil... pra eles!

E como sempre... as promessas de campanha começaram.
Saúde! Educação! Segurança pública! - esses são os temas com maior apelo popular, onde as aves de rapina se agarram pra ganhar votos.

Dias atrás, um dos candidatos à Presidência da República, ao ser perguntado numa entrevista sobre a solução para o baixo crescimento do PIB brasileiro, a inflação... ele só respondia: Política macro econômica. Política macro econômica. Politica macro econômica. O cara engoliu o disco riscado e ... só dizia isso.

- Mas como o senhor pretende fazer isso? insistia o jornalista, já com cara de "o que é que eu vim fazer aqui?" e o sujeito... "Com política macro econômica!".

Sabemos que eleição é como namoro, flerte.
Promete-se tudo ao ser amado.
Eu farei isso, eu mudarei aquilo... sem você eu não vivo ( confunde-se com um tubo de oxigênio! )... mas, depois que junta... hum... aí que a coisa entorta.

Por isso que ... há tempos eu ... só acredito, vendo! Feito São tomé! E em todos os sentidos!

Dentro desses assuntos mais apelativos que os candidatos se agarram pra ganhar votos... está a educação.

Sabemos que a origem de tudo... está na educação.
Seja em casa, na família ( seria o ideal ) ou na escola ( hoje em dia se transfere tudo para a escola ) ... sem educação, não é possível construir uma sociedade melhor, mais pensante, questionadora, com capacidade de discernir o que seja "um bom partido" de "um conquistador barato".

Logo de partida... os candidatos dizem que ..."se eu for eleito... darei 10% de aumento aos professores desse país".
Legal! Bacana! Mas... com que dinheiro?!

Hoje o Brasil tem mais de 2 milhões de professores de educação básica ( 65% destes, na rede municipal de ensino!) e existe mais ou menos 1.5 milhão de turmas. Essa conta, por ano, gira em torno de R$ 60 bilhões - o que dá uns 3% do PIB.

Além disso... hoje o país tem cerca de 1.5 milhão de professores inativos, que nos custam mais de R$30 bilhões por ano, o que dá 1.5% do PIB.
Especialistas dizem que mesmo que não haja aumento nos próximos 15 anos... essa conta dos inativos subiria para 2% do PIB.

Hoje quem paga essa conta é o FUNDEB - Fundo de Manutenção e desenvolvimento da educação básica - criado pelo governo do PT em 2007 com validade de 13 anos.
Esse fundo é feito com recursos dos 3 níveis de governo. Estados e municípios entram com 20% do valor ( dinheiros dos impostos, claro!) ... e a União entra com o restante, que dá uns 2, 3 bilhões por ano.

A questão é ... com a adesão de novos professores na rede, e a aposentadoria dos que já podem pedir ( com 25 anos de serviço, o professor já pode se aposentar e receber todos os benefícios dos que estão na ativa!) ... essa conta não vai fechar!

Entendeu a bucha?! Ehhh...

É simples ir na frente da TV e dizer que vai dar aumento de salário, condições saudáveis de trabalho. Tem professor hoje em dia que ganha até adicional de periculosidade, por dar aula em local de baixa segurança. Baita demagogia, né? O que cara vai fazer com 300 reais a mais no salário? Comprar um colete a prova de balas pra ir dar aula?! - mas só promessas não fazem um bom casamento, né?

O que vai acontecer - mais uma vez - é que os Estado e Municípios vão até Brasília passar o chapéu, pedir mais dinheiro à União. E esta... que não produz nada e vive de impostos... entendeu?! Pois é!

Se a coisa fosse eficiente de fato, se esses caras que ganham muito bem para fazer seu trabalho ... se houvesse esforço e interesse mesmo - não só o blá blá blá do namoro - haveria racionalidade.
Otimizar o horário / grade dos professores... de maneira que se reduzisse o número de profissionais - e essa folha de pagamento!

Com todo o respeito a essa categoria mas... imagina se o governo resolve dar 50% de aumento para os professores da ativa hoje. Os 1.5% que estão na inativa receberiam também. E isso geraria um impacto de mais 1% no PIB. É muuuita grana!

Uma alternativa seria dissociar essas classes. Os inativos merecem aumento sim - até porque o custo de vida aumenta pra todo mundo! - porém... menor do que os da ativa.

Criar carreiras atrativas para esses profissionais... repensar a questão da escola em período integral - e quando um candidato fala isso não é porque ele é bonzinho com as crianças não. Crianças não votam! O cara quando diz isso, é porque já leu esses relatórios e tá tentando arrumar trabalho para os que estão na ativa. Matar dois coelhos com uma cajadada só, sacou?

De um lado... nos próximos anos... haverá uma montante considerável de professores aposentados. E de outro lado... o desafio é atrair novos profissionais para essa área, não só com salários atrativos mas também com plano de carreira, boa estrutura física pra dar aula, material didático adequado, alimentação equilibrada para as crianças... e por aí vai.

Sabe aquela caixinha azul da Tiffany & Co. tão cobiçada pelas mulheres no namoro? ... A desses candidatos... quando se abre... tem um vale bijuteria, sem direito a troca!

Fique de olho! ... é muita promessa, pra pouco recurso!

69 dias .. e contando!


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